Gamopatia Monoclonal: Diagnóstico e Infecções Recorrentes

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 78 anos teve infecções respiratórias recorrentes no último ano, com duas pneumonias bacterianas nos últimos 6 meses. AP: HAS e DM2. Exames complementares: anemia normocítica e normocrômica e eletroforese de proteínas séricas com hipogamaglobulinemia, dosagem de cadeias leves livres com aumento de cadeia leve lambda e redução de cadeia leve kappa, com relação kappa/lambda alterada.O diagnóstico provável é

Alternativas

  1. A) imunodeficiência comum variável.
  2. B) gamopatia monoclonal.
  3. C) lúpus eritematoso sistêmico.
  4. D) imunodeficiência primária com defeito de anticorpos.

Pérola Clínica

Idoso com infecções recorrentes + hipogamaglobulinemia + cadeias leves alteradas → Gamopatia monoclonal.

Resumo-Chave

A presença de hipogamaglobulinemia e alterações na relação de cadeias leves livres em um idoso com infecções recorrentes é altamente sugestiva de uma gamopatia monoclonal, que pode levar a imunodeficiência secundária e maior suscetibilidade a infecções.

Contexto Educacional

Gamopatias monoclonais são proliferações clonais de plasmócitos ou linfócitos B que produzem uma imunoglobulina monoclonal (proteína M). São mais comuns em idosos e, embora muitas sejam benignas (MGUS), podem evoluir para mieloma múltiplo ou outras discrasias de plasmócitos. A importância clínica reside na sua capacidade de causar disfunção orgânica e imunodeficiência. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com infecções recorrentes, anemia, lesões ósseas ou insuficiência renal. A eletroforese de proteínas séricas e urinárias, a dosagem de imunoglobulinas e, crucialmente, a dosagem de cadeias leves livres séricas com cálculo da relação kappa/lambda são essenciais. A alteração dessa relação é um marcador sensível de clonalidade. O manejo depende do tipo e da progressão da gamopatia. Em casos de MGUS, o acompanhamento é fundamental. Para mieloma múltiplo, o tratamento envolve quimioterapia, imunomoduladores e, em alguns casos, transplante de medula óssea. A hipogamaglobulinemia associada pode exigir reposição de imunoglobulinas para reduzir infecções.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para gamopatia monoclonal em idosos?

Sinais de alerta incluem infecções recorrentes, anemia, dor óssea e alterações nos exames laboratoriais como hipogamaglobulinemia e relação anormal de cadeias leves livres.

Por que a gamopatia monoclonal pode causar infecções recorrentes?

A gamopatia monoclonal pode levar à supressão da produção de imunoglobulinas normais (hipogamaglobulinemia), comprometendo a resposta imune e aumentando a suscetibilidade a infecções.

Como diferenciar gamopatia monoclonal de imunodeficiência comum variável (CVID)?

A gamopatia monoclonal se caracteriza pela proliferação clonal de plasmócitos e alteração específica nas cadeias leves, enquanto CVID é uma deficiência primária de anticorpos sem proliferação clonal.

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