UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 78 anos teve infecções respiratórias recorrentes no último ano, com duas pneumonias bacterianas nos últimos 6 meses. AP: HAS e DM2. Exames complementares: anemia normocítica e normocrômica e eletroforese de proteínas séricas com hipogamaglobulinemia, dosagem de cadeias leves livres com aumento de cadeia leve lambda e redução de cadeia leve kappa, com relação kappa/lambda alterada.O diagnóstico provável é
Idoso com infecções recorrentes + hipogamaglobulinemia + cadeias leves alteradas → Gamopatia monoclonal.
A presença de hipogamaglobulinemia e alterações na relação de cadeias leves livres em um idoso com infecções recorrentes é altamente sugestiva de uma gamopatia monoclonal, que pode levar a imunodeficiência secundária e maior suscetibilidade a infecções.
Gamopatias monoclonais são proliferações clonais de plasmócitos ou linfócitos B que produzem uma imunoglobulina monoclonal (proteína M). São mais comuns em idosos e, embora muitas sejam benignas (MGUS), podem evoluir para mieloma múltiplo ou outras discrasias de plasmócitos. A importância clínica reside na sua capacidade de causar disfunção orgânica e imunodeficiência. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com infecções recorrentes, anemia, lesões ósseas ou insuficiência renal. A eletroforese de proteínas séricas e urinárias, a dosagem de imunoglobulinas e, crucialmente, a dosagem de cadeias leves livres séricas com cálculo da relação kappa/lambda são essenciais. A alteração dessa relação é um marcador sensível de clonalidade. O manejo depende do tipo e da progressão da gamopatia. Em casos de MGUS, o acompanhamento é fundamental. Para mieloma múltiplo, o tratamento envolve quimioterapia, imunomoduladores e, em alguns casos, transplante de medula óssea. A hipogamaglobulinemia associada pode exigir reposição de imunoglobulinas para reduzir infecções.
Sinais de alerta incluem infecções recorrentes, anemia, dor óssea e alterações nos exames laboratoriais como hipogamaglobulinemia e relação anormal de cadeias leves livres.
A gamopatia monoclonal pode levar à supressão da produção de imunoglobulinas normais (hipogamaglobulinemia), comprometendo a resposta imune e aumentando a suscetibilidade a infecções.
A gamopatia monoclonal se caracteriza pela proliferação clonal de plasmócitos e alteração específica nas cadeias leves, enquanto CVID é uma deficiência primária de anticorpos sem proliferação clonal.
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