Galactorreia: Diagnóstico e Manejo da Secreção Mamilar

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Mulher de 40 anos de idade, nuligesta, queixa-se de saída de secreção esbranquiçada pelos mamilos há 1 mês. Ao exame, não há nódulos palpáveis na mama e a expressão mostra saída de líquido branco de vários ductos, bilateralmente. A mamografia mostra calcificação grosseira no quadrante lateral da mama esquerda. Nesse caso:

Alternativas

  1. A) É fundamental a ultrassonografia complementar da mama à procura de lesões suspeitas.
  2. B) É indispensável a realização da citologia oncológica do líquido secretado.
  3. C) É necessário realizar biópsia cirúrgica da área de calcificação da mama.
  4. D) Trata-se de possível papiloma intraductal, devendo-se repetir a mamografia em 6 meses.
  5. E) Trata-se de galatorreia, devendo-se pesquisar o uso de psicotrópicos e dosar prolactina.

Pérola Clínica

Secreção mamilar bilateral, multiductal e esbranquiçada → Galactorreia; investigar prolactina e medicamentos.

Resumo-Chave

A secreção mamilar bilateral, multiductal e de aspecto esbranquiçado é característica de galactorreia. Nesses casos, a investigação inicial deve focar na dosagem de prolactina sérica e na revisão do uso de medicamentos que possam induzir hiperprolactinemia, como alguns psicotrópicos.

Contexto Educacional

A secreção mamilar é uma queixa comum na prática ginecológica e requer uma abordagem diagnóstica sistemática para diferenciar condições benignas de malignas. A galactorreia, caracterizada por secreção bilateral, multiductal e esbranquiçada, é geralmente benigna e está frequentemente associada à hiperprolactinemia. A investigação inicial deve incluir a dosagem de prolactina sérica e a revisão da história medicamentosa do paciente, pois muitos fármacos, especialmente psicotrópicos, podem elevar os níveis de prolactina. Outras causas de hiperprolactinemia incluem hipotireoidismo, adenomas hipofisários (prolactinomas) e estresse. A mamografia, embora importante para a avaliação de nódulos e calcificações, geralmente revela achados benignos em casos de galactorreia, como calcificações grosseiras. A citologia da secreção mamilar tem um papel limitado na galactorreia, sendo mais útil em secreções suspeitas de malignidade (unilaterais, uniductais, sanguinolentas). O manejo da galactorreia depende da causa subjacente. Se for induzida por medicamentos, a suspensão ou troca do fármaco pode resolver o problema. Prolactinomas podem ser tratados clinicamente com agonistas dopaminérgicos. Residentes devem estar aptos a conduzir essa investigação de forma eficiente, evitando exames desnecessários e focando na etiologia para um tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de galactorreia?

As causas mais comuns de galactorreia incluem hiperprolactinemia (por prolactinoma, hipotireoidismo, uso de medicamentos como antipsicóticos, antidepressivos e anti-hipertensivos), estresse, estimulação mamilar excessiva e gravidez/puerpério. É fundamental investigar a etiologia subjacente.

Quando a citologia da secreção mamilar é indicada?

A citologia da secreção mamilar é indicada principalmente para secreções unilaterais, uniductais, espontâneas e de aspecto sanguinolento, serossanguinolento ou seroso, pois podem indicar patologias intraductais, incluindo malignidade. Não é a primeira linha para galactorreia típica.

Qual o significado de calcificações grosseiras na mamografia em casos de galactorreia?

Calcificações grosseiras na mamografia são geralmente benignas e podem representar involução de fibroadenomas, cistos ou alterações fibrocísticas. Em um contexto de galactorreia bilateral, elas não são o foco principal da investigação, que deve ser direcionada à causa da hiperprolactinemia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo