Eclâmpsia: Manejo da Crise Convulsiva e Resolução da Gestação

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 27 anos de idade, G2P0A1, 35 semanas e 5 dias de gestação, foi trazida por familiares ao pronto atendimento desacordada, com história de crise convulsiva em casa. Ao exame: pressão arterial de 160 x 110 mmHg, altura uterina de 31 cm, dinâmica uterina ausente e colo impérvio. Os familiares negam história de epilepsia e na carteira de pré-natal há registro de aumento de níveis pressóricos a partir de 27 semanas de gravidez, quando foi indicado uso de alfametildopa. A cardiotocografia 130 batimentos por minuto em linha de base, ausência de desacelerações, presença de acelerações transitórias e variabilidade moderada. Diante desse quadro, a conduta correta é:

Alternativas

  1. A) administração de hidralazina, sulfato de magnésio e resolução da gestação após estabilização do quadro.
  2. B) administração de sulfato de magnésio e corticoterapia.
  3. C) cesariana imediata.
  4. D) prescrição de hidralazina, indução do parto e administração de sulfato de magnésio no puerpério imediato.
  5. E) acompanhamento da vitalidade fetal até 37 semanas de gestação

Pérola Clínica

Eclâmpsia = crise convulsiva + pré-eclâmpsia → Sulfato de magnésio + anti-hipertensivo + resolução da gestação.

Resumo-Chave

A eclâmpsia é uma emergência obstétrica caracterizada por convulsões tônico-clônicas generalizadas em gestantes com pré-eclâmpsia. O manejo imediato envolve a interrupção da crise com sulfato de magnésio, controle da pressão arterial e, após estabilização materna, a resolução da gestação.

Contexto Educacional

A eclâmpsia é uma das complicações mais graves da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em gestantes, puérperas ou mulheres até 6 semanas pós-parto, na ausência de outras causas para as convulsões. É uma emergência obstétrica que exige reconhecimento e manejo rápidos para prevenir morbimortalidade materna e fetal. A incidência varia, mas é uma das principais causas de mortalidade materna globalmente. A fisiopatologia da eclâmpsia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoespasmo e alterações na perfusão cerebral, resultando em edema e irritabilidade cortical. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de convulsões em uma paciente com pré-eclâmpsia. É crucial diferenciar de outras causas de convulsão. A cardiotocografia fetal é importante para avaliar a vitalidade fetal, mas a prioridade inicial é a estabilização materna. O tratamento da eclâmpsia é multifacetado: controle da crise convulsiva com sulfato de magnésio (droga de escolha), controle da hipertensão arterial grave (com hidralazina, labetalol ou nifedipino) e, após a estabilização materna, a resolução da gestação, que é o tratamento definitivo. A via de parto (vaginal ou cesariana) dependerá das condições obstétricas e da idade gestacional.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da eclâmpsia?

A eclâmpsia é definida pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante com pré-eclâmpsia, que inclui hipertensão e proteinúria, ou sinais de gravidade.

Qual o papel do sulfato de magnésio no tratamento da eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para prevenir e tratar as convulsões na eclâmpsia, agindo como um anticonvulsivante e neuroprotetor.

Quando a resolução da gestação é indicada na eclâmpsia?

A resolução da gestação é indicada após a estabilização do quadro materno (controle das convulsões e da pressão arterial), pois é o tratamento definitivo para a eclâmpsia.

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