AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025
Paciente portador de obesidade grau I apresenta regurgitação recorrente, em uso de IBP há mais de seis meses em dose dobrada, tendo realizado EDA que mostrou gastrite enantematosa de grau moderado, com pesquisa de Helicobacter pylori negativa ao método de Giemsa. Presença de hérnia de hiato por deslizamento de moderado volume. Optado pelo tratamento cirúrgico com fundoplicatura à Nissen (com válvula de 360 graus), é correto afirmar que:
Nissen → Incisão anterior ao pilar esquerdo protege o esôfago e o nervo vago posterior.
A técnica de Nissen envolve a criação de uma válvula de 360° ao redor do esôfago distal. A dissecção precisa dos pilares e a preservação dos nervos vagos são etapas críticas para evitar complicações pós-operatórias.
A fundoplicatura de Nissen é considerada o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) refratária ao tratamento clínico ou associada a grandes hérnias de hiato. A técnica consiste em envolver o esôfago distal com o fundo gástrico em uma circunferência de 360 graus, aumentando a pressão de repouso do esfíncter esofágico inferior e corrigindo a anatomia da junção esofagogástrica. A cirurgia evoluiu significativamente com a abordagem laparoscópica, que oferece melhor visualização das estruturas do hiato. A dissecção deve ser meticulosa, começando pela abertura do pequeno omento (pars flaccida) para identificar o pilar direito. A criação do espaço retroesofágico deve ser ampla o suficiente para passar o fundo gástrico sem torção. A hiatoplastia (fechamento dos pilares) deve ser feita com pontos inabsorvíveis, garantindo que o hiato não fique nem muito largo (risco de recorrência) nem muito estreito (risco de disfagia).
Os passos principais incluem: 1) Redução da hérnia de hiato e mobilização do esôfago distal; 2) Dissecção e fechamento dos pilares diafragmáticos (hiatoplastia); 3) Mobilização do fundo gástrico, frequentemente com ligadura dos vasos gástricos curtos para garantir uma válvula sem tensão; 4) Criação de uma válvula gástrica de 360 graus (fundoplicatura total) ao redor do esôfago, geralmente com 2 a 3 cm de extensão.
A preservação dos nervos vagos anterior e posterior é essencial. O vago anterior geralmente é visualizado sobre a parede esofágica anterior, enquanto o vago posterior deve ser identificado e mantido junto ao esôfago ou afastado cuidadosamente durante a criação da janela retroesofágica. A incisão da membrana frenoesofágica e a dissecção junto aos pilares devem ser feitas com visualização direta para evitar traumas térmicos ou mecânicos a esses nervos.
A mobilização do fundo gástrico, através da secção dos vasos gástricos curtos, permite que a válvula seja confeccionada de forma 'frouxa' (floppy Nissen). Isso é crucial para prevenir a disfagia pós-operatória. Uma válvula sob tensão pode migrar para o tórax ou causar obstrução funcional na transição esofagogástrica.
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