HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2025
Um homem de 56 anos de idade, com cirrose hepática por hepatite C, apresenta ascite, edema de membros inferiores e função hepática com elevação de bilirrubina e transaminases. Nesse caso, o exame MAIS adequado para avaliação da função hepática é:
Cirrose + ascite + edema + ↑ bilirrubina/transaminases → Tempo de Protrombina (TP/INR) é o melhor indicador de função sintética hepática.
Em pacientes com cirrose hepática, o Tempo de Protrombina (TP) e o seu derivado, o INR (International Normalized Ratio), são os exames mais fidedignos para avaliar a função sintética do fígado. Isso ocorre porque o fígado é o principal produtor dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K, e sua disfunção na cirrose leva à prolongamento do TP/INR, refletindo diretamente a capacidade de síntese hepática.
A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva caracterizada por fibrose e nódulos de regeneração, resultando em distorção da arquitetura hepática e comprometimento da função. A avaliação da função hepática em pacientes cirróticos é crucial para determinar a gravidade da doença, o prognóstico e a necessidade de intervenções como o transplante. Embora exames como bilirrubina e transaminases sejam comumente solicitados, eles fornecem informações distintas sobre a doença hepática. As transaminases (ALT e AST) são marcadores de lesão hepatocelular, indicando inflamação e necrose dos hepatócitos. A bilirrubina reflete a capacidade de conjugação e excreção biliar do fígado. No entanto, em estágios avançados da cirrose, a capacidade sintética do fígado é severamente comprometida, e é nesse contexto que o Tempo de Protrombina (TP) e o INR (International Normalized Ratio) se destacam como os melhores indicadores da função hepática. O fígado é responsável pela síntese de diversos fatores de coagulação, incluindo os fatores II, VII, IX e X, que são dependentes de vitamina K. A disfunção hepática na cirrose leva à diminuição da produção desses fatores, resultando no prolongamento do TP e elevação do INR. O prolongamento do TP/INR não apenas reflete a capacidade sintética do fígado, mas também é um componente essencial de escores prognósticos validados, como o MELD (Model for End-Stage Liver Disease), que prediz a mortalidade em pacientes com cirrose e é utilizado para alocação de órgãos para transplante. Portanto, em um paciente com cirrose e sinais de descompensação (ascite, edema, elevação de bilirrubina e transaminases), a avaliação do TP/INR é indispensável para uma compreensão completa da função hepática e para o manejo clínico adequado. Outros exames como albumina sérica, que também é sintetizada pelo fígado, complementam a avaliação da função sintética a longo prazo.
O TP avalia a via extrínseca e comum da coagulação, que depende de fatores produzidos exclusivamente pelo fígado (II, VII, IX, X e fibrinogênio). Na cirrose, a capacidade sintética do fígado está comprometida, levando à diminuição desses fatores e, consequentemente, ao prolongamento do TP, refletindo diretamente a gravidade da disfunção hepática.
O INR (International Normalized Ratio) é uma padronização do TP que permite comparar resultados entre diferentes laboratórios. É um componente chave de escores prognósticos como o MELD (Model for End-Stage Liver Disease), utilizado para avaliar a gravidade da cirrose e priorizar pacientes para transplante hepático.
Bilirrubina e transaminases são importantes, mas têm papéis diferentes. A bilirrubina elevada indica disfunção de excreção biliar, e as transaminases elevadas indicam lesão hepatocelular ativa. No entanto, na cirrose avançada, as transaminases podem não estar tão elevadas, e o TP/INR é um indicador mais sensível da capacidade sintética global do fígado.
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