Fraturas de Costela: Manejo da Dor e Prevenção de Complicações

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

Um paciente foi atendido no pronto-socorro após colidir com a sua moto contra a traseira de um carro. Após estabilização inicial, realizou uma radiografia simples de tórax, que mostrou uma opacidade na metade inferior do pulmão, com pequeno velamento do seio costofrênico e fraturas da nona a da décima segunda costela (todas as alterações do lado direito).Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta.

Alternativas

  1. A) analgesia
  2. B) analgesia e fisioterapia respiratória
  3. C) analgesia e administração de antibiótico
  4. D) analgesia, fisioterapia respiratória e administração de antibiótico
  5. E) redução das fraturas das costelas e fixação com síntese metálica

Pérola Clínica

Fraturas costais → analgesia potente + fisioterapia respiratória para prevenir complicações pulmonares.

Resumo-Chave

Fraturas de costela, especialmente múltiplas, causam dor intensa que restringe a expansão torácica e a tosse eficaz. A analgesia adequada é fundamental para permitir a mobilização e a fisioterapia respiratória, prevenindo atelectasias e pneumonias, que são as principais complicações pulmonares pós-trauma torácico.

Contexto Educacional

Fraturas de costela são lesões comuns em traumas torácicos, especialmente em acidentes de trânsito. A gravidade varia desde fraturas isoladas até o tórax instável, que envolve fraturas de três ou mais costelas adjacentes em dois ou mais pontos, resultando em um segmento da parede torácica que se move paradoxalmente à respiração. A dor intensa associada a essas fraturas é o principal fator que leva à hipoventilação e à incapacidade de tossir eficazmente. A fisiopatologia das complicações pulmonares decorre da dor, que impede a expansão pulmonar completa e a eliminação de secreções, predispondo a atelectasias e pneumonias. O diagnóstico é feito clinicamente e confirmado por radiografia de tórax, que também pode revelar outras lesões como pneumotórax, hemotórax ou contusão pulmonar. A presença de velamento do seio costofrênico e opacidades pulmonares sugere derrame pleural ou atelectasia. O tratamento conservador é a regra, com foco em analgesia potente (incluindo bloqueios intercostais ou peridurais) e fisioterapia respiratória intensiva para promover a expansão pulmonar e a higiene brônquica. Antibióticos não são indicados profilaticamente. A cirurgia de fixação de costelas é reservada para casos muito específicos e graves, como tórax instável refratário ao tratamento clínico. O manejo adequado é crucial para prevenir a morbimortalidade associada a essas lesões.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da analgesia em pacientes com fraturas de costela?

A analgesia adequada é crucial para reduzir a dor, permitindo que o paciente respire profundamente, tussa eficazmente e realize exercícios de fisioterapia respiratória, prevenindo assim atelectasias, pneumonias e insuficiência respiratória.

Quais as principais complicações pulmonares associadas às fraturas de costela?

As principais complicações incluem atelectasias, pneumonias, derrame pleural (hemotórax ou seroso), pneumotórax e, em casos de fraturas múltiplas ou tórax instável, insuficiência respiratória aguda.

Quando a cirurgia é indicada para fraturas de costela?

A fixação cirúrgica de fraturas de costela é raramente indicada, reservada para casos selecionados de tórax instável com insuficiência respiratória refratária, dor intratável, deformidade significativa ou falha na extubação devido à instabilidade da parede torácica.

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