USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Homem, 66 anos, anticoagulado, vítima de colisão de carro x poste é transferido para um Centro de Trauma após 12 horas de observação em Unidade de Pronto Atendimento, com dor em hemitórax direito. Exame físico: consciente, saturação de 94%, FR = 22 ipm, murmúrio vesicular diminuído à direita, FC = 74 bpm, PA = 100 x 70 mmHg. Devido ao mecanismo de trauma, realizou tomografia de tórax que mostrou fratura única de 4°, 5° e 6° arcos costais à direita, com fraturas alinhadas e sem hemotórax ou pneumotórax. Realizou espirometria com capacidade vital forçada < 1000 ml. Com a analgesia endovenosa, teve bom controle da dor. Qual a conduta?
Idoso anticoagulado com múltiplas fraturas costais e CVF < 1000 mL → Internação UTI para monitorização e analgesia.
Pacientes idosos, anticoagulados, com múltiplas fraturas costais e comprometimento da função pulmonar (CVF < 1000 mL) possuem alto risco de complicações respiratórias, justificando internação em UTI para monitorização intensiva e analgesia otimizada.
Fraturas costais são lesões comuns em traumas torácicos, mas sua gravidade varia. Em pacientes idosos, a fragilidade óssea e a menor reserva fisiológica aumentam o risco de complicações. A presença de anticoagulação eleva o risco de hemorragias, mesmo em traumas aparentemente menores, e a formação de hematomas pode comprometer a função respiratória. O número de costelas fraturadas é um preditor importante de morbimortalidade. Múltiplas fraturas (geralmente >3) aumentam o risco de dor intensa, hipoventilação, atelectasia, pneumonia e insuficiência respiratória. A espirometria, com uma capacidade vital forçada (CVF) < 1000 mL, indica uma função pulmonar severamente comprometida, mesmo na ausência de pneumotórax ou hemotórax evidentes na tomografia, sinalizando a necessidade de monitorização intensiva. A conduta em pacientes com fraturas costais múltiplas e fatores de risco elevados, como idade avançada, anticoagulação e CVF reduzida, deve ser a internação em leito de terapia intensiva. Isso permite monitorização contínua dos parâmetros respiratórios e hemodinâmicos, além de uma analgesia otimizada (epidural, bloqueios intercostais, opioides) para garantir conforto e permitir a expansão pulmonar adequada, prevenindo complicações graves.
Fatores de risco incluem idade avançada, múltiplas fraturas costais (especialmente >3), comorbidades pulmonares pré-existentes, uso de anticoagulantes, contusão pulmonar associada e capacidade vital forçada reduzida.
A capacidade vital forçada (CVF) reflete a função pulmonar e a capacidade do paciente de respirar profundamente e tossir. Uma CVF < 1000 mL indica comprometimento significativo, aumentando o risco de atelectasias e pneumonia.
Uma analgesia eficaz é fundamental para permitir que o paciente respire profundamente, tussa e mobilize secreções, prevenindo complicações respiratórias como pneumonia e insuficiência respiratória.
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