UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022
Mulher, 63 anos de idade, branca, tabagista, é atendida na Unidade Básica de Saúde, com queixa de dor em região dorsal, há 2 semanas. Relata que a dor iniciou de forma súbita e intensa quando levantou seu neto de 3 anos de idade do chão. Ao exame físico, apresenta dor à palpação de coluna toracolombar e piora da dor ao tentar fletir a coluna. Nega ter comorbidades ou usar medicamentos de uso contínuo. A radiografia de coluna em perfil é mostrada a seguir. A seta indica a alteração radiológica relacionada ao caso.Além de prescrever analgesia, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a conduta para o caso em questão.
Fratura vertebral por osteoporose (63F, tabagista, dor súbita) → Analgesia + Bisfosfonatos + Cálcio + Vit D.
Em uma paciente idosa, tabagista, com dor dorsal súbita e intensa após esforço, e achado radiológico de fratura vertebral, a principal hipótese é fratura por osteoporose. A conduta inicial, além da analgesia, envolve o tratamento da osteoporose subjacente com bisfosfonatos e suplementação de cálcio e vitamina D para prevenir novas fraturas.
A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, resultando em aumento da fragilidade óssea e suscetibilidade a fraturas. As fraturas vertebrais por fragilidade são as mais comuns, afetando principalmente mulheres pós-menopausa e idosos. A história clínica de dor dorsal súbita e intensa após um trauma mínimo (como levantar um objeto leve ou tossir) em um paciente com fatores de risco (idade avançada, sexo feminino, tabagismo, uso de corticoides) deve levantar a suspeita. A radiografia de coluna é essencial para o diagnóstico, revelando a compressão vertebral. O manejo de uma fratura vertebral osteoporótica envolve inicialmente o controle da dor com analgésicos e, se necessário, repouso relativo, seguido de mobilização precoce e fisioterapia para fortalecer a musculatura paravertebral e melhorar a postura. No entanto, o pilar do tratamento é a prevenção de novas fraturas, que se dá através do tratamento da osteoporose subjacente. Isso inclui a suplementação de cálcio (1000-1200 mg/dia) e vitamina D (800-2000 UI/dia), essenciais para a saúde óssea, e o uso de agentes farmacológicos. Os bisfosfonatos (alendronato, risedronato, ibandronato, ácido zoledrônico) são a primeira linha de tratamento para a maioria dos pacientes com osteoporose, pois reduzem a reabsorção óssea e diminuem significativamente o risco de fraturas vertebrais e não vertebrais. A teriparatida, um análogo do PTH, é um agente anabólico reservado para casos de osteoporose grave ou falha terapêutica. Para o residente, é crucial reconhecer que a presença de uma fratura por fragilidade já estabelece o diagnóstico de osteoporose e a necessidade de iniciar o tratamento farmacológico, independentemente dos resultados da densitometria óssea, que pode ser realizada posteriormente para monitoramento.
Os sinais e sintomas incluem dor dorsal súbita e intensa, que pode piorar com movimentos ou esforço. A dor pode ser localizada ou irradiar. Em alguns casos, as fraturas podem ser assintomáticas, sendo descobertas incidentalmente em exames de imagem, ou manifestar-se como perda de altura e cifose progressiva.
A conduta inicial inclui analgesia adequada para controle da dor, repouso relativo e mobilização precoce conforme tolerado. É fundamental iniciar o tratamento da osteoporose subjacente com agentes antirresortivos (como bisfosfonatos) e suplementação de cálcio e vitamina D para prevenir futuras fraturas.
A teriparatida é um agente anabólico ósseo indicado para pacientes com osteoporose grave, alto risco de fraturas, ou naqueles que falharam ou são intolerantes à terapia com bisfosfonatos. Não é a primeira linha de tratamento para a maioria dos casos de osteoporose pós-menopausa.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo