Fratura Transtrocanteriana: Conduta e Fixação Cirúrgica

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

A Sra. Maria Lúcia, uma mulher de 75 anos, chegou à emergência após uma queda em sua casa. Ela relata que tropeçou em um tapete e caiu de lado no chão da sala. Desde então, ela sente uma dor intensa no quadril esquerdo, não consegue levantar e não consegue andar. Quando do exame físico, nota-se que sua perna esquerda está encurtada e rodada externamente. Ela tem histórico de osteoporose e faz uso regular de anti-inflamatórios não esteroides para dor causada pela osteoartrose do joelho esquerdo. Além disso, tem hipertensão arterial essencial controlada com medicamentos. Está lúcida com sinais vitais estáveis, dor intensa à palpação do quadril esquerdo, pulsos distais presentes e simétricos. A radiografia de quadril mostra uma fratura transtrocanteriana do fêmur. Diante desse quadro clínico, a melhor abordagem terapêutica para o caso da Sra. Maria Lúcia é:

Alternativas

  1. A) Tratamento conservador com imobilização com tração esquelética.
  2. B) Tratamento conservador com analgésicos e repouso no leito.
  3. C) Fixação interna com parafuso deslizante e placa lateral (DHS - Dynamic Hip Screw).
  4. D) Fixação interna com haste intramedular proximal.
  5. E) Substituição total do quadril com prótese total.

Pérola Clínica

Fratura transtrocanteriana → Fixação interna (Haste Intramedular ou DHS); Haste é superior em fraturas instáveis.

Resumo-Chave

Fraturas transtrocanterianas são extracapsulares e preservam a vascularização da cabeça femoral, permitindo a fixação interna em vez da substituição protética.

Contexto Educacional

As fraturas do fêmur proximal em idosos representam um desafio de saúde pública devido à alta morbimortalidade. A classificação anatômica entre intra e extracapsulares dita o tratamento: as extracapsulares (transtrocanterianas) possuem alto potencial de consolidação e devem ser fixadas. A escolha entre DHS e haste intramedular depende da estabilidade da fratura (presença da parede lateral e do trocanter menor). Em pacientes com osteoporose severa, a haste intramedular oferece vantagens biomecânicas significativas, permitindo a mobilização precoce, que é fundamental para evitar complicações como pneumonia e tromboembolismo.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre o tratamento com DHS e Haste Intramedular?

O DHS (Dynamic Hip Screw) é um sistema de placa e parafuso deslizante ideal para fraturas transtrocanterianas estáveis, permitindo a compressão controlada do foco da fratura. Já a haste intramedular (cefalomedular) é biomecanicamente superior em fraturas instáveis ou com traço reverso, pois o braço de alavanca é menor, reduzindo o estresse no implante e permitindo carga precoce mais segura em pacientes idosos com osso osteoporótico.

Por que não realizar prótese de quadril em fraturas transtrocanterianas?

Diferente das fraturas do colo do fêmur (intracapsulares), as fraturas transtrocanterianas ocorrem em uma região ricamente vascularizada e fora da cápsula articular. Isso significa que o risco de osteonecrose da cabeça femoral é muito baixo, permitindo que a consolidação óssea ocorra se a fratura for fixada adequadamente. A artroplastia é um procedimento mais invasivo e com maior perda sanguínea, não sendo a primeira escolha para este padrão de fratura.

Quais sinais clínicos indicam fratura de fêmur proximal?

O quadro clássico inclui dor intensa na região do quadril após queda da própria altura, incapacidade de deambular ou elevar o membro inferior, e um achado físico característico: o membro inferior acometido apresenta-se encurtado e em rotação externa (devido à ação da musculatura glútea e do iliopsoas que tracionam os fragmentos ósseos).

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