CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Paciente com 29 anos de idade e história de trauma de face. Ao exame de entrada apresenta equimose periocular e globo ocular pulsátil. Qual das paredes da órbita deve estar fraturada?
Globo ocular pulsátil pós-trauma → Fratura do teto da órbita (pulsação do LCR).
A presença de um globo ocular pulsátil após trauma de face sugere uma fratura no teto da órbita, permitindo que as pulsações do líquido cefalorraquidiano (LCR) e do cérebro sejam transmitidas ao olho.
As fraturas do teto da órbita são mais comuns em crianças devido à maior exposição da fronte e menor pneumatização do seio frontal. No adulto, geralmente resultam de traumas de alta energia. A pulsação ocular é um sinal patognomônico de defeito na barreira orbitocraniana. O manejo requer avaliação conjunta da oftalmologia e neurocirurgia, devido ao risco de herniação cerebral para a órbita, meningite ou fístulas de LCR persistentes.
O teto da órbita separa a cavidade orbitária da fossa craniana anterior. Quando ocorre uma fratura extensa nessa parede, a barreira óssea desaparece, permitindo que as variações de pressão intracraniana decorrentes do ciclo cardíaco (pulsações do cérebro e do LCR) sejam transmitidas diretamente ao conteúdo orbitário e ao globo ocular.
Além da pulsação (enoftalmo ou exoftalmo pulsátil), o paciente pode apresentar equimose bipalpebral (sinal do guaxinim), ptose palpebral por lesão do músculo levantador ou do nervo oculomotor, e risco de fístula liquórica (rinorreia se houver envolvimento do seio frontal).
O principal diferencial é a fístula carótido-cavernosa, onde há uma comunicação anômala entre o sistema arterial e o seio venoso cavernoso. Outras causas incluem a ausência congênita da asa maior do esfenoide (como na Neurofibromatose tipo 1) e encefalocele orbitária.
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