Fratura Salter-Harris II de Rádio Distal: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um menino com 6 anos de idade deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento, acompanhado pela mãe. Relata que caiu do beliche, de uma altura aproximada de 1 metro, há 3 horas. Na admissão, apresenta-se choroso, com impotência funcional no punho direito e com dor local intensa. O resultado da radiografia do punho direito da criança é apresentado na imagem a seguir: Nesse caso, o diagnóstico e a conduta são:

Alternativas

  1. A) Fratura do rádio distal através da placa de crescimento e metáfise, poupando a epífise; redução local fechada, com colocação de gesso.
  2. B) Fratura da ulna distal através da placa de crescimento e metáfise; redução local fechada, com colocação de gesso.
  3. C) Fratura do rádio distal, acometendo a epífise; imobilização com tipóia e administração de antiinflamatório por via oral.
  4. D) Fratura da ulna distal através da placa de crescimento e metáfise; redução aberta da lesão, com colocação de fixador externo.

Pérola Clínica

Salter-Harris II = Fise + Metáfise (poupando epífise) → Redução + Gesso.

Resumo-Chave

A fratura Salter-Harris II é a mais comum envolvendo a placa de crescimento; o traço percorre a fise e desvia para a metáfise, geralmente tratada com redução incruenta.

Contexto Educacional

As fraturas do rádio distal são as lesões esqueléticas mais comuns na infância, frequentemente resultantes de queda sobre a mão espalmada (mecanismo de hiperextensão). A placa de crescimento é uma zona de relativa fraqueza mecânica em comparação com os ligamentos e o osso adjacente. Na classificação de Salter-Harris, o tipo II poupa a epífise e a articulação, o que minimiza o risco de artrite pós-traumática e distúrbios graves de crescimento, ao contrário dos tipos III e IV. O tratamento foca no alinhamento aceitável, confiando na capacidade de remodelação do osso pediátrico, especialmente em crianças mais jovens com fise aberta.

Perguntas Frequentes

O que define uma fratura Salter-Harris tipo II?

A classificação de Salter-Harris é usada para descrever fraturas que envolvem a placa de crescimento (fise) em crianças. O tipo II é o mais frequente (cerca de 75% dos casos). Nela, a linha de fratura estende-se através da placa de crescimento e, em seguida, desvia-se para fora, através da metáfise, criando um fragmento triangular metafisário conhecido como sinal de Thurston-Holland. Importante notar que a epífise permanece intacta, o que geralmente confere um bom prognóstico de crescimento.

Qual a conduta padrão para fratura de rádio distal Salter-Harris II?

A maioria das fraturas Salter-Harris II do rádio distal pode ser tratada de forma conservadora. Se houver desvio significativo, realiza-se a redução fechada (incruenta) sob sedação ou bloqueio regional para restaurar o alinhamento. Após a redução, a imobilização com gesso braquiopalmar ou gesso circular é mantida por cerca de 4 a 6 semanas. O acompanhamento radiográfico é essencial nas primeiras semanas para garantir que não houve perda da redução.

Quais as possíveis complicações dessas fraturas em crianças?

Embora o prognóstico da Salter-Harris II seja geralmente excelente devido ao alto potencial de remodelação óssea em crianças, complicações podem ocorrer. A principal preocupação é o fechamento prematuro da placa de crescimento (epifisiodese), que pode levar a encurtamento do membro ou deformidades angulares. Outras complicações incluem a síndrome compartimental (rara no rádio distal, mas grave) e a consolidação viciosa se a redução inicial for inadequada.

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