Fratura Pélvica em Trauma: Diagnóstico e Manejo Inicial

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

No paciente vítima de colisão frontal, em relação à avaliação primária e à conduta subsequente, assinalar a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Sinal do cinto de segurança deve levantar suspeita de lesão visceral retroperitoneal, podendo essa hipótese ser afastada, com boa especificidade, pela ultrassonografia focada para o trauma (FAST).
  2. B) Sintomas de perda de força e parestesia dos membros superiores devem levantar suspeita de lesão da medula cervical pelo mecanismo de ""chicote"", podendo essa hipótese ser afastada, com boa sensibilidade, por tomografia da coluna cervical.
  3. C) A hipotensão inexplicada pode ser o único sinal inicial de uma fratura pélvica, podendo essa hipótese ser afastada com radiografia anteroposterior da pelve.
  4. D) O trauma pancreático deve ser considerado quando há contusão direta contra a região epigástrica, podendo essa hipótese ser afastada após a dosagem laboratorial precoce da amilase sérica.

Pérola Clínica

Hipotensão inexplicada em trauma → suspeitar fratura pélvica, confirmar com RX AP pelve.

Resumo-Chave

Em pacientes traumatizados, a hipotensão sem causa aparente deve sempre levantar a suspeita de fratura pélvica, mesmo sem sinais externos óbvios. A radiografia anteroposterior da pelve é um exame rápido e eficaz para confirmar ou afastar essa hipótese, que pode levar a sangramento significativo.

Contexto Educacional

A avaliação primária do paciente traumatizado segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a identificação e tratamento de lesões com risco de vida imediato. A colisão frontal é um mecanismo de trauma de alta energia que pode causar múltiplas lesões, incluindo fraturas pélvicas, que são frequentemente subestimadas. A importância de reconhecer a fratura pélvica reside no seu potencial de causar sangramento maciço e instabilidade hemodinâmica. A hipotensão inexplicada em um paciente traumatizado, especialmente após colisão frontal, deve sempre levantar a suspeita de fratura pélvica, mesmo que não haja sinais externos óbvios. O sangramento pode ser extenso, com a pelve comportando grandes volumes de sangue. A radiografia anteroposterior da pelve é um exame rápido e de baixo custo que deve ser realizado precocemente na avaliação para confirmar ou afastar essa hipótese. Outros exames como o FAST, embora úteis para lesões intra-abdominais, têm baixa sensibilidade para lesões retroperitoneais. O manejo inicial da fratura pélvica com instabilidade hemodinâmica envolve a estabilização da pelve com cintas ou lençóis para reduzir o volume do anel pélvico e controlar o sangramento. A reposição volêmica agressiva e a transfusão de hemoderivados são cruciais. Em casos de sangramento persistente, a embolização angiográfica ou a fixação externa podem ser necessárias. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são determinantes para o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para fratura pélvica em um paciente traumatizado?

A hipotensão inexplicada é o principal sinal de alerta, mesmo na ausência de deformidades visíveis ou dor intensa. Outros sinais incluem dor à palpação da pelve e instabilidade do anel pélvico.

Qual o papel da radiografia de pelve na avaliação inicial do trauma?

A radiografia anteroposterior da pelve é fundamental na avaliação primária do trauma para identificar fraturas pélvicas, que podem ser fontes de sangramento maciço e instabilidade hemodinâmica. É um exame rápido e de baixo custo.

Por que a ultrassonografia FAST pode não ser suficiente para afastar lesão retroperitoneal?

O FAST é excelente para detectar líquido livre intraperitoneal, mas tem baixa sensibilidade para lesões retroperitoneais, como as associadas a fraturas pélvicas, trauma renal ou pancreático, que podem causar sangramento significativo.

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