Hemorragias Pélvicas Traumáticas: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2019

Enunciado

Assinale a alternativa INCORRETA com relação às hemorragias pélvicas traumáticas.

Alternativas

  1. A) A hemipelve instável migra distalmente e apresenta uma rotação interna secundariamente ao efeito da gravidade sobre a hemipelve instável.
  2. B) A hipotensão inexplicável pode ser, inicialmente, a única indicação de ruptura pélvica grave com instabilidade pélvica no complexo posterior dos ligamentos.
  3. C) Achados de exame físico sugestivos de fratura pélvica incluem a evidência de ruptura de uretra (próstata deslocada cranialmente, hematoma escrotal ou sangue no meato uretral), de discrepância entre o comprimento dos membros ou de uma deformidade rotacional da perna sem fratura óbvia.
  4. D) O teste com manipulação da pelve para avaliar a instabilidade mecânica do anel pélvico deve ser testada apenas uma vez durante o exame físico, pois pode agravar a hemorragia, e deve ser evitado em pacientes em choque ou com fratura pélvica óbvia.

Pérola Clínica

Fratura pélvica instável: hemipelve migra PROXIMALMENTE, rotação externa. Manipulação pélvica: apenas 1x, evitar em choque.

Resumo-Chave

Fraturas pélvicas instáveis são grandes fontes de hemorragia. A hemipelve instável tipicamente migra proximalmente e rotaciona externamente, não distalmente e internamente. A manipulação pélvica deve ser feita com cautela, apenas uma vez, para não agravar o sangramento.

Contexto Educacional

As hemorragias pélvicas traumáticas são uma causa significativa de morbimortalidade em pacientes politraumatizados, frequentemente associadas a fraturas pélvicas de alta energia. A instabilidade pélvica, particularmente a ruptura do complexo posterior dos ligamentos, é um forte preditor de sangramento grave e choque hipovolêmico, que pode ser a única manifestação inicial. O diagnóstico de fratura pélvica instável e hemorragia associada requer alta suspeição clínica. Sinais no exame físico incluem hipotensão inexplicável, discrepância no comprimento dos membros, deformidade rotacional da perna e sinais de ruptura uretral, como hematoma escrotal ou sangue no meato. A manipulação da pelve para testar a instabilidade deve ser realizada com extrema cautela e apenas uma vez, para não agravar o sangramento. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica, que pode incluir a aplicação de um cinto pélvico ou lençol para estabilização externa, fluidos e transfusão sanguínea. A identificação e controle da fonte de sangramento, seja por embolização angiográfica ou fixação cirúrgica, são cruciais. A hemipelve instável, ao contrário do que a alternativa incorreta sugere, tipicamente migra proximalmente e rotaciona externamente devido às forças musculares e ligamentares.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade pélvica em um paciente traumatizado?

A instabilidade pélvica pode ser sugerida por hipotensão inexplicável, discrepância no comprimento dos membros, deformidade rotacional da perna sem fratura óbvia, ou evidência de ruptura uretral (próstata deslocada, hematoma escrotal, sangue no meato).

Por que a manipulação pélvica deve ser limitada no exame físico?

A manipulação pélvica deve ser realizada apenas uma vez e com cautela, pois movimentos excessivos podem desalojar coágulos e agravar a hemorragia. Em pacientes em choque ou com fratura pélvica óbvia, deve ser evitada.

Qual a importância do complexo posterior dos ligamentos na estabilidade pélvica?

O complexo posterior dos ligamentos (sacroilíacos, sacrotuberosos, sacroespinhosos) é crucial para a estabilidade do anel pélvico. Sua ruptura indica uma fratura pélvica instável e está frequentemente associada a hemorragias graves.

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