UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Homem de 19 anos, após queda de moto, apresenta pelve instável e dá entrada na emergência hipotenso. Responde à ressuscitação volêmica inicial e realiza TC que confirma fratura pélvica, sem demais lesões de órgãos intra-abdominais ou torácicos. Ortopedia realiza estabilização pélvica e paciente mantém estabilidade hemodinâmica. Nesse caso, o choque inicial, em consequência da fratura pélvica, deve ser decorrente de:
80-90% do sangramento em fraturas pélvicas é de origem VENOSA ou de superfícies ósseas fraturadas.
No trauma pélvico, a instabilidade hemodinâmica decorre majoritariamente do plexo venoso pré-sacral e do osso esponjoso; sangramentos arteriais são menos frequentes (10-20%) mas graves.
As fraturas de pelve são marcadores de trauma de alta energia e estão associadas a altas taxas de morbimortalidade. A anatomia pélvica é rica em vasos, sendo o plexo venoso posterior a fonte mais comum de hemorragia maciça. O espaço retroperitoneal pode acomodar grandes volumes de sangue antes que a pressão tecidual exerça qualquer efeito de tamponamento natural. O manejo inicial segue os preceitos do ATLS, focando na circulação (C) com controle de hemorragia. A aplicação de uma cinta pélvica ou lençol na altura dos trocanteres maiores é uma medida salvadora de vidas que deve ser realizada precocemente na suspeita de instabilidade do anel pélvico, visando reduzir o volume interno e estabilizar coágulos.
A vasta maioria dos sangramentos (cerca de 80% a 90%) em fraturas pélvicas tem origem no plexo venoso retroperitoneal (especialmente o plexo pré-sacral) ou nas superfícies ósseas fraturadas. Apenas uma minoria dos casos apresenta sangramento arterial ativo, geralmente envolvendo a artéria ilíaca interna ou seus ramos, como a artéria pudenda ou glútea.
A estabilização mecânica (com lençol ou fixador externo) reduz o volume pélvico, promovendo um efeito de tamponamento no espaço retroperitoneal. Além disso, ao alinhar os fragmentos ósseos, reduz-se o sangramento das superfícies de fratura e evita-se que novos movimentos lesionem vasos adjacentes, facilitando a formação de coágulos estáveis.
Deve-se suspeitar de sangramento arterial quando o paciente permanece hemodinamicamente instável mesmo após a estabilização mecânica da pelve e ressuscitação volêmica adequada, ou quando há evidência de 'blush' de contraste na tomografia computadorizada. Nesses casos, a angiografia com embolização ou o empacotamento pélvico pré-peritoneal são indicados.
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