Manejo Imediato da Fratura Pélvica Instável (Livro Aberto)

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 35 anos é levado à unidade de emergência após colisão entre motocicleta e anteparo fixo em alta velocidade. Na admissão, apresenta-se confuso, pálido e com sudorese fria. Os sinais vitais revelam pressão arterial de 72 por 44 mmHg, frequência cardíaca de 142 batimentos por minuto, frequência respiratória de 32 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 91% em máscara de reservatório a 10 L/min. Ao exame físico, observa-se instabilidade do anel pélvico à palpação suave, com dor intensa, além de hematoma perineal e uretrorragia. O Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST) foi realizado e resultou negativo nos quatro quadrantes abdominais e na janela pericárdica. A radiografia de bacia realizada no leito demonstra fratura pélvica tipo 'livro aberto' (disjunção da sínfise púbica de 4,5 cm). Com base no caso apresentado, a conduta imediata mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Encaminhamento imediato para angiotomografia computadorizada de pelve e abdome.
  2. B) Estabilização mecânica da pelve e ativação de protocolo de transfusão maciça.
  3. C) Laparotomia exploradora imediata para controle de danos abdominais.
  4. D) Realização de Lavado Peritoneal Diagnóstico (LPD) para confirmar a negatividade do FAST.

Pérola Clínica

Fratura em livro aberto + Choque + FAST negativo → Estabilizar pelve + Transfusão maciça.

Resumo-Chave

Fraturas pélvicas instáveis causam grande aumento do volume pélvico e sangramento venoso/ósseo massivo; a estabilização mecânica reduz o espaço e promove o tamponamento.

Contexto Educacional

As fraturas pélvicas de alta energia, especialmente as do tipo 'livro aberto' (compressão anteroposterior), representam um desafio crítico no trauma devido ao potencial de sangramento retroperitoneal massivo. O aumento do volume da cavidade pélvica impede o tamponamento natural. A conduta imediata foca no 'fechamento' desse volume através de dispositivos de compressão externa (cintas pélvicas) ao nível dos trocanteres maiores. Paralelamente, a ressuscitação deve ser agressiva e equilibrada, utilizando hemoderivados em vez de cristaloides excessivos para evitar a coagulopatia dilucional. Se a instabilidade persistir após estabilização mecânica e transfusão, procedimentos como angioembolização ou tamponamento pré-peritoneal cirúrgico devem ser considerados.

Perguntas Frequentes

Por que o FAST pode ser negativo em fraturas pélvicas graves?

O FAST avalia a presença de líquido livre intraperitoneal. No trauma pélvico, o sangramento ocorre predominantemente no espaço retroperitoneal (espaço pré-vesical de Retzius e plexos venosos pélvicos). Como o peritônio parietal atua como uma barreira, o sangue pode ficar contido no retroperitônio, não sendo detectado pelas janelas padrão do FAST.

Qual o objetivo da estabilização mecânica da pelve?

O objetivo principal é reduzir o volume pélvico, que aumenta significativamente em fraturas tipo 'livro aberto'. Ao fechar o anel pélvico com uma cinta ou lençol, reduz-se o espaço para o sangramento, promove-se o contato entre as superfícies ósseas e facilita-se o tamponamento natural dos plexos venosos rompidos.

Quando indicar o protocolo de transfusão maciça?

O protocolo de transfusão maciça (PTM) é indicado em pacientes com choque hemorrágico grave (Classe III ou IV), evidenciado por hipotensão persistente, taquicardia extrema e necessidade de grandes volumes de cristaloides. No trauma pélvico instável com sinais de choque, a ativação precoce do PTM é crucial para prevenir a tríade da morte.

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