Fratura de Pelve 'Livro Aberto': Riscos e Manejo no Trauma

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2018

Enunciado

Com relação ao trauma fechado com fratura de pelve, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A passagem de sonda vesical de demora está contraindicada na suspeita de fratura de bacia.
  2. B) Representa a principal causa de hematoma em zona I retroperitoneal.
  3. C) Na maioria dos casos, é a hemorragia pélvica determinada por lesões diretas da artériailíaca interna e dos focos de fratura.
  4. D) O exame cuidadoso é importante, pois a ausência de instabilidade clínica à palpação da bacia exclui uma fratura pélvica instável.
  5. E) A fratura da bacia do tipo “livro aberto” em geral está associada a sangramento retroperitoneal grave e a lesões perineais complexas.

Pérola Clínica

Fratura de pelve 'livro aberto' → instabilidade, sangramento retroperitoneal grave e lesões perineais.

Resumo-Chave

Fraturas de pelve do tipo 'livro aberto' resultam de forças de compressão anteroposterior, causando disjunção da sínfise púbica e/ou ruptura dos ligamentos sacroilíacos. Essa instabilidade leva a um aumento do volume pélvico, com grande potencial para hemorragia retroperitoneal maciça e lesões associadas, como as perineais e geniturinárias.

Contexto Educacional

O trauma fechado com fratura de pelve é uma lesão de alta energia, frequentemente associada a politraumatismos e alta morbimortalidade. A pelve é uma estrutura óssea complexa que abriga vasos sanguíneos importantes, nervos e órgãos geniturinários e intestinais. A estabilidade da fratura é o principal determinante do risco de hemorragia e lesões associadas, sendo as fraturas instáveis as mais preocupantes. O reconhecimento e manejo rápidos são cruciais para a sobrevida do paciente. A fratura de pelve do tipo 'livro aberto' é caracterizada pela separação da sínfise púbica e/ou ruptura dos ligamentos sacroilíacos anteriores, resultando em instabilidade rotacional externa. Essa abertura da pelve aumenta significativamente o volume do espaço retroperitoneal, permitindo o acúmulo de grandes volumes de sangue provenientes principalmente do plexo venoso pélvico e, em menor grau, de lesões arteriais (ramos da artéria ilíaca interna). Além do sangramento, essas fraturas estão frequentemente associadas a lesões de bexiga, uretra, reto e vagina, exigindo uma avaliação completa e multidisciplinar. O manejo inicial de um paciente com fratura de pelve instável inclui a estabilização pélvica externa (cinto pélvico, lençol ou fixador externo) para reduzir o volume pélvico e controlar o sangramento. A avaliação da estabilidade hemodinâmica é primordial, e a presença de sangramento ativo pode exigir angiografia com embolização ou cirurgia. A passagem de sonda vesical deve ser cautelosa e precedida de investigação de lesão uretral em casos suspeitos. O exame físico cuidadoso, incluindo a palpação da bacia, é importante, mas a ausência de instabilidade à palpação não exclui uma fratura pélvica instável, especialmente em pacientes com dor intensa ou rebaixamento do nível de consciência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais tipos de fraturas de pelve e suas implicações?

As fraturas de pelve são classificadas pela estabilidade. As instáveis, como 'livro aberto' (compressão anteroposterior) e 'cisalhamento vertical', são as mais graves, associadas a grande perda sanguínea e lesões de órgãos. As estáveis, como as avulsões, são menos preocupantes.

Por que a fratura 'livro aberto' causa sangramento grave?

A fratura 'livro aberto' causa disjunção da sínfise púbica e/ou ruptura dos ligamentos sacroilíacos, aumentando o volume pélvico. Isso rompe o plexo venoso pélvico e, menos frequentemente, artérias como a ilíaca interna, levando a hemorragia retroperitoneal maciça.

Quando a passagem de sonda vesical é contraindicada em trauma pélvico?

A passagem de sonda vesical de demora é contraindicada na suspeita de lesão uretral, que deve ser investigada em pacientes com fratura de pelve e sinais como sangue no meato uretral, hematoma escrotal/labial ou incapacidade de urinar. Nesses casos, realiza-se uretrografia retrógrada antes da sondagem.

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