Manejo do Trauma Pélvico Instável e Lesão Uretral

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 28 anos é admitido na unidade de emergência após colisão de motocicleta contra anteparo fixo em alta velocidade. Na avaliação inicial (ABCDE), apresenta via aérea pérvia e murmúrio vesicular universalmente audível. Encontra-se taquipneico (FR 28 irpm), com frequência cardíaca de 124 bpm e pressão arterial de 92/58 mmHg. À inspeção, observa-se deformidade em rotação externa do membro inferior direito e volumoso hematoma perineal que se estende para a base da bolsa escrotal. A palpação da pelve demonstra instabilidade mecânica significativa. Ao toque retal, nota-se que a próstata está em posição elevada (cefalizada) e há presença de uretrorragia franca. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é negativo nos espaços subfrênicos e periesplênico, porém evidencia coleção líquida no espaço retropúbico. Após a infusão rápida de 1.000 mL de cristaloide aquecido e início de protocolo de transfusão maciça, o paciente mantém sinais de choque compensado (FC 118 bpm, PA 96/60 mmHg). Diante desse cenário, a conduta imediata mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Realização de uretrocistografia retrógrada para diagnóstico topográfico da lesão uretral.
  2. B) Estabilização mecânica da pelve com aplicação de cinta pélvica ou lençol na altura dos trocanteres maiores.
  3. C) Cistostomia suprapúbica percutânea imediata para drenagem de provável globo vesical.
  4. D) Tentativa única de sondagem vesical de demora com cateter de alívio por médico experiente.

Pérola Clínica

Instabilidade pélvica + choque → Estabilização mecânica imediata com cinta ou lençol nos trocanteres maiores.

Resumo-Chave

No trauma pélvico instável com sinais de choque, a redução do volume pélvico via estabilização externa é a manobra prioritária para conter o sangramento venoso e ósseo.

Contexto Educacional

O trauma pélvico de alta energia, como colisões de motocicleta, frequentemente resulta em fraturas instáveis (mecanismo de 'livro aberto' ou compressão lateral). O sangramento associado é predominantemente venoso (85% dos casos, originado no plexo venoso pré-sacral), mas pode ser arterial ou ósseo. A instabilidade mecânica detectada ao exame físico é um sinal de alerta crítico para hemorragia retroperitoneal maciça. O manejo segue o protocolo ATLS, onde a estabilização da pelve com cinta ou lençol é uma medida de 'circulação' (C) essencial. Além disso, a tríade de uretrorragia, próstata elevada e hematoma perineal confirma a suspeita de lesão uretral, comum em fraturas de pelve por cisalhamento. A uretrocistografia retrógrada é o padrão-ouro para diagnóstico, mas nunca deve preceder a estabilização hemodinâmica e mecânica do paciente em choque.

Perguntas Frequentes

Qual a localização correta para aplicação da cinta pélvica?

A cinta pélvica ou o lençol devem ser posicionados sobre os trocanteres maiores do fêmur, e não sobre as cristas ilíacas. O objetivo é promover a compressão e redução do volume da pelve verdadeira, o que ajuda no tamponamento do sangramento venoso do plexo pré-sacral e das superfícies ósseas fraturadas.

Por que a sondagem vesical é contraindicada neste paciente?

A presença de uretrorragia franca, hematoma perineal/escrotal e próstata cefalizada (elevada) ao toque retal são sinais clássicos de lesão de uretra. Nestes casos, a tentativa de sondagem vesical de demora é contraindicada até que a integridade uretral seja avaliada (geralmente por uretrocistografia retrógrada), para evitar o agravamento da lesão.

Qual a prioridade no tratamento do choque em fraturas de pelve?

A prioridade é o controle da hemorragia. Isso envolve a estabilização mecânica imediata da pelve para reduzir o volume interno e promover o tamponamento, associada à ressuscitação volêmica balanceada e protocolo de transfusão maciça se necessário. Se o paciente permanecer instável após estabilização, deve-se considerar angiografia com embolização ou tamponamento pré-peritoneal.

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