UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2024
Homem de 45 anos de idade, condutor de veículo, sofreu colisão frontal contra anteparo fixo. Não estava usando cinto de segurança. No local do acidente, estava irresponsivo. A equipe de Atendimento Pré-Hospitalar encontrou o para-brisa quebrado com vários estilhaços dentro do veículo e o volante deformado. Chegou ao hospital trazida pelo suporte básico do SAMU 192, imobilizada em prancha longa, com colar cervical, ventilado com dispositivo de máscara de 02 com válvula e balão. Apresentava trauma facial extenso com muito sangue na boca e no nariz. Saturação 02 = 80%. A equipe de emergência iniciou o atendimento inicial e solicitou exames radiológicos. O laudo do RX de face foi o seguinte: "linhas de fraturas oblíquas acometendo o osso nasal e estendendo-se pelas paredes mediais e a margem interna da órbita reconhecível pela mobilidade central da face". A conduta imediata que deverá ser realizada na sala de emergência e o diagnóstico da fratura da face são, respectivamente:
Trauma facial extenso + via aérea comprometida (Sat O2 ↓) → Cricotireoidostomia para Le Fort II/III.
Em trauma facial grave, como as fraturas Le Fort II e III, há alto risco de obstrução de via aérea devido a sangramento, edema e deslocamento de estruturas. Com saturação de oxigênio de 80% e trauma facial extenso, a intubação orotraqueal pode ser difícil ou impossível, tornando a cricotireoidostomia a conduta imediata e salvadora da vida para garantir a via aérea.
O trauma facial grave é uma emergência médica que exige avaliação e manejo rápidos, especialmente no que diz respeito à via aérea. A colisão frontal sem cinto de segurança, como descrito, é um mecanismo de trauma de alta energia que frequentemente resulta em lesões maxilofaciais extensas. A prioridade no atendimento inicial, conforme o ATLS (Advanced Trauma Life Support), é sempre a garantia da via aérea, respiração e circulação. No caso apresentado, a saturação de oxigênio de 80% e o trauma facial extenso com sangramento ativo indicam um comprometimento grave da via aérea. As fraturas Le Fort são classificações de fraturas do terço médio da face. A descrição do RX de face, com fraturas oblíquas acometendo o osso nasal e estendendo-se pelas paredes mediais e margem interna da órbita, com mobilidade central da face, é clássica da fratura Le Fort II. Esta fratura pode levar a edema significativo, sangramento e deslocamento de estruturas, dificultando ou impossibilitando a intubação orotraqueal. Diante de uma via aérea comprometida e impossibilidade de intubação orotraqueal, a cricotireoidostomia de emergência é a conduta salvadora. É um procedimento cirúrgico rápido que estabelece uma via aérea definitiva através da membrana cricotireoidea. A traqueostomia é um procedimento mais complexo e demorado, geralmente realizado em ambiente controlado, não sendo a conduta imediata em uma emergência com risco de vida iminente.
Sinais de comprometimento da via aérea incluem estridor, rouquidão, dispneia, cianose, agitação, uso de musculatura acessória, sangramento ativo na boca/nariz e saturação de oxigênio baixa. A presença de trauma facial extenso e irresponsividade também são alertas.
Le Fort I (horizontal) separa o palato duro do maxilar superior. Le Fort II (piramidal) envolve o osso nasal, maxila e margem interna da órbita. Le Fort III (disjunção craniofacial) separa o esqueleto facial do crânio, passando pela sutura zigomaticofrontal e base do nariz.
A cricotireoidostomia é indicada quando a intubação orotraqueal é impossível ou contraindicada, como em trauma facial grave com distorção anatômica, sangramento maciço na via aérea, edema glótico severo ou incapacidade de visualizar as cordas vocais.
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