Trauma Facial Grave: Manejo da Via Aérea e Fraturas Le Fort

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 47 anos de idade, condutora de veículo, sofreu colisão frontal contra uma árvore. Não estava usando cinto de segurança. No local do acidente, estava irresponsiva. A equipe de Atendimento Pré-Hospitalar encontrou o para-brisa quebrado com vários estilhaços dentro do veículo e o volante deformado. Chegou ao hospital trazida pelo suporte básico do SAMU 192, imobilizada em prancha longa, com colar cervical, ventilado com dispositivo de máscara de 02 com válvula e balão. Apresentava trauma facial extenso com muito sangue na boca e no nariz. Saturação 02 = 80%. A equipe de emergência iniciou o atendimento inicial e solicitou exames radiológicos. O laudo do RX de face foi o seguinte: "linhas de fraturas oblíquas acometendo o osso nasal e estendendo-se pelas paredes mediais e a margem interna da órbita reconhecível pela mobilidade central da face". A conduta imediata que deverá ser realizada na sala de emergência e o diagnóstico da fratura da face são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Intubação orotraqueal / Le Fort I.
  2. B) Intubação orotraqueal / Le Fort III.
  3. C) Cricotireoidostomia / Le Fort II.
  4. D) Cricotireoidostomia / Le Fort III.
  5. E) Traqueostomia / Le Fort IV.

Pérola Clínica

Trauma facial extenso com obstrução de via aérea e Sat O2 80% → Cricotireoidostomia + Fratura Le Fort II (piramidal).

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma facial grave e sinais de obstrução de via aérea (sangue, estilhaços, Sat O2 baixa) onde a intubação orotraqueal é contraindicada ou inviável, a cricotireoidostomia é a conduta imediata para garantir a via aérea. A descrição radiológica de fraturas oblíquas do osso nasal e órbita com mobilidade central da face é clássica da fratura Le Fort II.

Contexto Educacional

O trauma facial é uma ocorrência comum em acidentes de trânsito e quedas, sendo crucial a avaliação e manejo rápido da via aérea. A obstrução pode ser causada por sangramento, edema, dentes avulsionados ou fragmentos ósseos. A prioridade no atendimento ao traumatizado, conforme o ATLS, é sempre a via aérea com proteção da coluna cervical. As fraturas de Le Fort são classificações importantes para o trauma maxilofacial. A Le Fort I é uma fratura horizontal da maxila, a Le Fort II é uma fratura piramidal que envolve o osso nasal e a maxila, e a Le Fort III é uma disjunção craniofacial completa. O diagnóstico é feito clinicamente pela mobilidade dos segmentos faciais e confirmado por exames de imagem, como radiografias e tomografia computadorizada. O tratamento inicial foca na estabilização do paciente e na garantia da via aérea. Em casos de trauma facial grave com comprometimento da via aérea e impossibilidade de intubação orotraqueal, a cricotireoidostomia é o procedimento de escolha para estabelecer uma via aérea cirúrgica de emergência. O manejo definitivo das fraturas ocorre após a estabilização do paciente, frequentemente requerendo cirurgia reconstrutiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma via aérea comprometida em trauma facial?

Sinais incluem estridor, rouquidão, sangramento profuso na orofaringe, presença de corpos estranhos (dentes, estilhaços), deformidade facial grave, e saturação de oxigênio baixa. A avaliação rápida é crucial para evitar hipóxia.

Quando a cricotireoidostomia é indicada em trauma facial?

É indicada quando a intubação orotraqueal é impossível ou contraindicada devido a trauma facial maciço, edema grave, sangramento que impede a visualização das cordas vocais, ou quando há falha na intubação após múltiplas tentativas. É uma via aérea cirúrgica de emergência.

Como diferenciar as fraturas Le Fort I, II e III?

Le Fort I (horizontal) separa o palato e o processo alveolar da maxila. Le Fort II (piramidal) envolve o osso nasal, maxila e órbita medial. Le Fort III (disjunção craniofacial) separa o esqueleto facial do crânio, passando por arcos zigomáticos e órbita lateral.

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