UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Mulher de 78 anos, diabética, com história de queda da própria altura, durante a noite quando foi ao banheiro, encontrada no dia seguinte deitada no chão, com dor em quadril e incapaz de se levantar sem auxílio. Foi levada para unidade de pronto atendimento (UPA), onde foi identificado fratura de fêmur direito, hemoglobina de 11,8 g/dl, leucócitos 9200/microL, glicemia 140mg/dl, creatinina 1,5 mg/dl, urina EAS 20 piócitos por campo (VR: até 5 piócitos por campo). Considerando o caso acima, a conduta mais adequada é:
Fratura de fêmur em idoso + ITU suspeita → ATB empírico + cirurgia rápida. Não atrasar!
Fraturas de fêmur em idosos são emergências cirúrgicas que exigem intervenção rápida para reduzir morbimortalidade. A presença de uma infecção urinária (ITU) suspeita não deve atrasar significativamente a cirurgia; o ideal é iniciar antibioticoterapia empírica e prosseguir com o procedimento o mais breve possível, após estabilização clínica.
As fraturas de fêmur em idosos representam uma emergência ortopédica e um desafio clínico significativo devido à fragilidade e comorbidades associadas a essa população. O manejo adequado e rápido é fundamental para reduzir a alta morbimortalidade. A cirurgia precoce, idealmente dentro de 48 horas, é o padrão ouro para a maioria dessas fraturas, visando a mobilização precoce e a prevenção de complicações relacionadas ao imobilismo. No contexto pré-operatório, a avaliação de comorbidades, como diabetes e disfunção renal, é essencial. A presença de infecção, especialmente infecção do trato urinário (ITU), é uma preocupação comum. Embora infecções ativas devam ser tratadas, o atraso excessivo da cirurgia para completa erradicação de uma ITU assintomática ou leve pode ser mais prejudicial do que benéfico. Nesses casos, a estratégia de iniciar antibioticoterapia empírica e prosseguir com a cirurgia é frequentemente a mais recomendada, visando equilibrar o risco de infecção com os benefícios da intervenção cirúrgica precoce. Residentes em ortopedia, cirurgia geral e medicina de emergência devem estar aptos a identificar rapidamente essas fraturas, estabilizar o paciente e coordenar o cuidado pré-operatório. O tratamento conservador é raramente indicado para fraturas de fêmur em idosos devido às suas consequências devastadoras. A abordagem multidisciplinar, envolvendo ortopedistas, geriatras, anestesistas e fisioterapeutas, é crucial para otimizar os resultados e a recuperação funcional desses pacientes.
O tempo cirúrgico é crucial em fraturas de fêmur em idosos. A cirurgia deve ser realizada idealmente em menos de 48 horas após a admissão, pois atrasos aumentam significativamente a morbimortalidade, incluindo complicações como pneumonia, úlceras de pressão, tromboembolismo e delirium.
Diante de uma suspeita de ITU (ex: piócitos no EAS), a conduta mais adequada é iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais comuns, e prosseguir com a cirurgia o mais rápido possível. Não se deve atrasar a cirurgia para aguardar resultados de cultura e antibiograma.
O tratamento conservador para fraturas de fêmur em idosos está associado a altas taxas de morbimortalidade. As principais complicações incluem úlceras de pressão, pneumonia, tromboembolismo venoso, delirium, sarcopenia e perda funcional significativa, levando a uma pior qualidade de vida e maior dependência.
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