INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Mulher de 40 anos, relata queda da própria altura, após tropeçar na calçada, e cair para frente com as mãos espalmadas, com hiperextensão do punho. No momento se queixa de dor em região dorsal e radial do punho. Ao exame, presença de leve edema próximo ao processo estiloide do rádio, sem deformidade evidente do punho. Refere dor a palpação do punho, pouco abaixo da prega palmar, na direção do eixo longo do polegar, e na tabaqueira anatômica. Dentre as alternativas abaixo, qual é a hipótese diagnóstica?
Dor na tabaqueira anatômica após queda = Fratura de Escafoide até prova em contrário.
A fratura do escafoide é a lesão óssea mais comum do carpo, tipicamente causada por queda em hiperextensão do punho, apresentando dor focal na tabaqueira anatômica.
O escafoide é o osso do carpo mais frequentemente fraturado (cerca de 60-70% das fraturas do carpo). O mecanismo de lesão clássico é a queda sobre a mão espalmada com o punho em extensão superior a 90 graus. Devido à anatomia vascular precária, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações a longo prazo, como a instabilidade do carpo e a osteoartrite (SNAC - Scaphoid Nonunion Advanced Collapse). Na prática da ortopedia, qualquer trauma de punho com dor na tabaqueira anatômica deve ser tratado como fratura oculta até que exames de imagem definitivos ou a evolução clínica provem o contrário.
Os sinais clássicos incluem dor à palpação profunda da tabaqueira anatômica, dor à palpação do tubérculo do escafoide (face palmar do punho) e dor à compressão axial do polegar. Frequentemente, não há deformidade grosseira, apenas um leve edema radial.
O escafoide possui um suprimento sanguíneo retrógrado (da parte distal para a proximal). Fraturas, especialmente no colo ou polo proximal, podem interromper esse fluxo, levando a altas taxas de pseudartrose e necrose avascular do polo proximal.
A conduta padrão é a imobilização do punho com gesso ou tala incluindo o polegar e a repetição do exame radiográfico em 10 a 14 dias. Alternativamente, uma Ressonância Magnética ou Tomografia Computadorizada pode ser solicitada precocemente para confirmar o diagnóstico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo