UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Mulher, 78 anos de idade, é trazida ao PS com história de queda da própria altura, evoluindo com dor no quadril D e consequente incapacidade a deambulação. Antecedentes pessoais: dependente de cuidadores em casa de repouso, arritmia, demência e diabetes tipo II sem controle. Radiografias: fratura desviada instável do colo do fêmur D, sem osteoartrose. Qual é a conduta mais adequada?
Idoso + Baixa demanda + Fratura desviada do colo do fêmur → Artroplastia Parcial de Quadril.
Em idosos com baixa demanda funcional ou comorbidades graves, a artroplastia parcial é a escolha por ser um procedimento mais rápido e menos invasivo, permitindo o retorno precoce à carga.
As fraturas do colo do fêmur são classificadas pela escala de Garden: I (incompleta/impactada em valgo), II (completa sem desvio), III (completa com desvio parcial) e IV (completa com desvio total). Fraturas Garden III e IV em idosos são tratadas preferencialmente com substituição protética devido ao alto risco de interrupção do suprimento sanguíneo para a cabeça femoral. A decisão entre artroplastia total e parcial baseia-se no perfil do paciente. Pacientes institucionalizados, com demência e dependentes (como no caso clínico apresentado) beneficiam-se da artroplastia parcial por ser um procedimento menos agressivo. A fixação interna com parafusos canulados ou DHS é geralmente reservada para pacientes jovens (preservação da cabeça femoral) ou idosos com fraturas Garden I e II (estáveis).
A artroplastia parcial (hemiartroplastia) é indicada para pacientes idosos com baixa demanda funcional, demência grave ou múltiplas comorbidades sistêmicas. O objetivo é reduzir o tempo cirúrgico, o sangramento e o risco de luxação, priorizando a deambulação precoce em detrimento da longevidade extrema da prótese.
Fraturas intracapsulares desviadas (Garden III e IV) comprometem severamente a vascularização da cabeça femoral, que é suprida principalmente pela artéria circunflexa femoral medial. No idoso, o potencial de consolidação é reduzido, levando a taxas inaceitáveis de pseudartrose e necrose avascular.
A artroplastia total (ATQ) apresenta melhores resultados funcionais, menos dor residual e menores taxas de reoperação por erosão acetabular (protrusão acetabular) a longo prazo. É a escolha para idosos ativos, lúcidos e com boa expectativa de vida, ou naqueles que já possuem osteoartrose prévia.
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