Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Homem de 25 anos sofre acidente automobilístico. Estava no banco traseiro, utilizando cinto de segurança abdominal (2 pontos). Evolui com dor abdominal difusa e dor lombar. Na avaliação inicial, a tomografia de abdome evidencia lesão de alça duodenal e fratura horizontal do corpo vertebral lombar. Esse conjunto de achados é típico da:
Cinto de 2 pontos + Fratura vertebral horizontal + Lesão de víscera oca = Fratura de Chance.
A fratura de Chance é uma lesão por flexão-distração da coluna vertebral, típica do uso de cinto de segurança abdominal, altamente associada a lesões de vísceras ocas abdominais.
A fratura de Chance, também conhecida como 'fratura do cinto de segurança', é um marco no estudo do trauma. Sua importância reside não apenas na instabilidade da coluna vertebral, mas na sua função como um sinal de alerta para trauma abdominal grave. O duodeno e o pâncreas, por estarem fixos no retroperitônio, são particularmente vulneráveis ao esmagamento contra a coluna vertebral durante o evento. O diagnóstico precoce exige alto índice de suspeita clínica e avaliação tomográfica detalhada, muitas vezes necessitando de exploração cirúrgica abdominal se houver sinais de pneumoperitônio ou peritonite.
A fratura de Chance ocorre por um mecanismo de flexão-distração. Durante uma desaceleração súbita (como em colisões automobilísticas), o corpo é lançado para frente enquanto o cinto de segurança abdominal (2 pontos) atua como um fulcro fixo. Isso causa uma compressão anterior e uma distração violenta dos elementos posteriores da coluna vertebral, resultando em uma fratura que atravessa horizontalmente o corpo vertebral e os elementos posteriores.
Devido à compressão direta do cinto contra o abdome e ao mecanismo de distração, há uma alta incidência de lesões em vísceras ocas e órgãos retroperitoneais. As lesões mais frequentes incluem a ruptura de alças do intestino delgado, lesões duodenais, lacerações do mesentério e lesões pancreáticas. A presença da 'marca do cinto' no exame físico deve elevar imediatamente a suspeita para essas lesões.
Na radiografia de perfil ou na tomografia computadorizada, observa-se uma linha de fratura horizontal que se estende desde o processo espinhoso, passa pelos pedículos e atinge o corpo vertebral. Diferente das fraturas por compressão simples, há um aumento da distância entre os processos espinhosos (distração posterior). É considerada uma fratura instável, pois envolve as três colunas de Denis.
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