Fratura de Base de Crânio Pediátrica: Sinais e Conduta

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menina, 3 anos de idade, caiu de balanço de uma altura estimada de 1,5 metro, há 30 minutos. Ao cair, ficou imóvel e pálida por poucos segundos e começou a chorar muito. Ao exame, está consciente, ECG = 15, apresenta equimose retroauricular e hemotímpano, movimenta os membros, a respiração é coordenada e simétrica e o abdome está flácido. A conduta indicada para o quadro apresentado é:

Alternativas

  1. A) realizar tomografia de crânio, pela possibilidade de fratura de base de crânio.
  2. B) realizar tomografia de crânio, pela possibilidade de contusão cerebral.
  3. C) deixar em observação hospitalar por 24 horas, para diagnóstico de sinais de comprometimento neurológico.
  4. D) deixar em observação hospitalar, para avaliação por cirurgião pediátrico.
  5. E) liberar para a residência com orientações e retorno, se necessário.

Pérola Clínica

Equimose retroauricular + hemotímpano pós-trauma em criança → suspeita de fratura de base de crânio, indicar TC.

Resumo-Chave

A presença de equimose retroauricular (sinal de Battle) e hemotímpano após um trauma craniano em uma criança são sinais clássicos de fratura de base de crânio. Mesmo com ECG 15, a conduta é realizar tomografia de crânio para confirmar o diagnóstico e avaliar possíveis complicações intracranianas.

Contexto Educacional

O trauma cranioencefálico (TCE) em crianças é uma causa comum de morbimortalidade, e a avaliação cuidadosa é fundamental. A fratura de base de crânio, embora nem sempre óbvia, pode ser indicada por sinais específicos que exigem atenção imediata. A equimose retroauricular (sinal de Battle) e o hemotímpano são achados clássicos que sugerem trauma significativo na base do crânio, mesmo que o estado neurológico inicial da criança pareça estável. Mesmo com uma Escala de Coma de Glasgow (ECG) de 15, a presença desses sinais de fratura de base de crânio é um indicativo de alto risco e exige investigação por imagem. A tomografia computadorizada (TC) de crânio é o padrão-ouro para o diagnóstico de fraturas ósseas e para avaliar a presença de lesões intracranianas associadas, como hematomas epidurais, subdurais ou contusões cerebrais, que podem se manifestar tardiamente. A conduta imediata, portanto, é a realização da TC de crânio. A observação hospitalar isolada sem imagem pode atrasar o diagnóstico de lesões graves. O manejo de um TCE pediátrico deve sempre considerar a possibilidade de lesões ocultas e a necessidade de uma avaliação abrangente para garantir o melhor prognóstico e prevenir complicações a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de fratura de base de crânio em crianças?

Os sinais clínicos incluem equimose periorbitária (olhos de guaxinim), equimose retroauricular (sinal de Battle), hemotímpano, rinorreia ou otorreia de líquor (saída de líquido cefalorraquidiano pelo nariz ou ouvido) e paralisia de nervos cranianos, especialmente o VII e VIII.

Por que a tomografia de crânio é a conduta indicada nesses casos?

A tomografia de crânio é o exame de imagem de escolha para avaliar fraturas ósseas e lesões intracranianas após trauma. Ela permite identificar a fratura de base de crânio, avaliar sua extensão e descartar hematomas, contusões ou edema cerebral associados, mesmo em pacientes com ECG normal.

Quais as complicações potenciais de uma fratura de base de crânio?

As complicações potenciais incluem fístula liquórica (com risco de meningite), lesão de nervos cranianos (como paralisia facial ou perda auditiva), hemorragia intracraniana e infecção. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para minimizar esses riscos.

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