HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025
Paciente masculino, 16 anos de idade, é trazido ao Pronto-Socorro pela equipe de resgate, com relato de acidente de motocicleta em via de alta velocidade. Dá entrada com vias aéreas pérvias, com desvio de mandíbula por fratura, observadas otorreia e rinorreia, murmúrio vesicular presente bilateralmente, com intensa dor à palpação do gradil costal direito, pelve estável, sem sinais de peritonite, mas com um hematoma em flanco direito. Não observada uretrorragia. Apresenta pressão arterial 101 x 67 mmHg, frequência cardíaca 102 bpm, Escala de Coma de Glasgow 7, e sem crepitações à palpação da coluna. A respeito dos dispositivos utilizados na avaliação do trauma, assinale aquele que está contraindicado no caso acima:
Suspeita de fratura de base de crânio (otorreia/rinorreia) → contraindica tubo nasotraqueal.
A presença de otorreia e rinorreia em um paciente vítima de trauma com TCE grave (Glasgow 7) sugere fortemente uma fratura de base de crânio. Nesses casos, a inserção de um tubo nasotraqueal é contraindicada devido ao risco de penetração na cavidade craniana, devendo-se optar por intubação orotraqueal ou cricotireoidostomia se a via aérea estiver comprometida.
O manejo da via aérea é a prioridade 'A' no atendimento ao traumatizado, conforme o ATLS (Advanced Trauma Life Support). Em pacientes com trauma cranioencefálico (TCE) grave, como indicado por um Glasgow de 7, a intubação é frequentemente necessária para proteger a via aérea e garantir oxigenação e ventilação adequadas. No entanto, a escolha do método de intubação deve considerar as lesões associadas para evitar complicações. A presença de otorreia (saída de líquor pelo ouvido) e rinorreia (saída de líquor pelo nariz) são sinais clássicos de fratura de base de crânio. Nesses casos, a integridade da lâmina cribriforme pode estar comprometida. A inserção de um tubo nasotraqueal, que passa pela cavidade nasal, apresenta um risco significativo de penetrar na cavidade craniana, causando lesões cerebrais ou introduzindo infecções. Diante da suspeita de fratura de base de crânio, o tubo nasotraqueal é formalmente contraindicado. As alternativas seguras para o manejo da via aérea incluem a intubação orotraqueal, que é a via preferencial, realizada com técnica de sequência rápida de intubação. Em situações de via aérea difícil ou falha da intubação orotraqueal, a cricotireoidostomia cirúrgica é uma opção de resgate. A sonda vesical de demora é um dispositivo para monitoramento urinário e não interfere na via aérea, sendo indicada para avaliação da perfusão renal.
Os sinais clínicos de fratura de base de crânio incluem otorreia (saída de líquor pelo ouvido), rinorreia (saída de líquor pelo nariz), sinal de Battle (equimose retroauricular), olhos de guaxinim (equimose periorbital) e hemotímpano. A presença desses sinais indica a necessidade de cautela no manejo da via aérea.
O tubo nasotraqueal é contraindicado na suspeita de fratura de base de crânio devido ao risco de que o tubo, ao ser inserido pela cavidade nasal, penetre na cavidade craniana através da lâmina cribriforme fraturada. Isso pode causar lesões cerebrais graves ou introduzir infecções no sistema nervoso central.
As alternativas seguras para o manejo da via aérea em trauma com TCE grave e suspeita de fratura de base de crânio incluem a intubação orotraqueal, que é a via preferencial. Em casos de via aérea difícil ou falha da intubação orotraqueal, a cricotireoidostomia cirúrgica é uma opção de resgate.
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