Fratura Atípica de Fêmur: Diagnóstico e Manejo Essencial

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 57 anos, em tratamento para osteoporose com alendronato de sódio 70 mg/semana há 6 anos. Refere que vinha andando na rua e sentiu uma dor aguda na coxa direita que a fez cair e a impediu de andar. Foi levada ao hospital e uma radiografia simples mostrou uma fratura transversal, não cominutiva, em diáfise do fêmur direito, com espessamento cortical. Foi realizada cirurgia ortopédica. Considerando a principal hipótese para esse caso, qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Suspender alendronato e manter cálcio e vitamina D.
  2. B) Considerar falha terapêutica e trocar o alendronato por risedronato.
  3. C) Considerar falha terapêutica e trocar o alendronato por denosumabe.
  4. D) Associar teriparatida ao alendronato.
  5. E) Associar denosumabe ao alendronato.

Pérola Clínica

Fratura atípica de fêmur em uso prolongado de bisfosfonato → suspender bisfosfonato, manter cálcio e vitamina D.

Resumo-Chave

A fratura atípica de fêmur é uma complicação rara, mas grave, do uso prolongado de bisfosfonatos (>5 anos). Caracteriza-se por dor prodrômica na coxa e padrão radiográfico específico (transversal, não cominutiva, espessamento cortical). A conduta primordial é a suspensão do bisfosfonato e suporte com cálcio e vitamina D.

Contexto Educacional

A Fratura Atípica de Fêmur (FAF) é uma complicação rara, mas importante, do tratamento prolongado da osteoporose com bisfosfonatos, especialmente após 5 anos de uso. Sua incidência é baixa, mas o reconhecimento precoce é crucial para o manejo adequado e prevenção de fraturas contralaterais. A fisiopatologia envolve a supressão excessiva da remodelação óssea pelos bisfosfonatos, levando ao acúmulo de microdanos e à incapacidade de reparar o osso de forma eficaz. Clinicamente, os pacientes frequentemente relatam dor prodrômica na coxa ou região inguinal por semanas ou meses antes da fratura completa. O diagnóstico é confirmado por radiografias que mostram um padrão de fratura transversal ou oblíquo curto na diáfise ou região subtrocantérica do fêmur, com espessamento cortical. A conduta principal para uma FAF confirmada é a suspensão imediata do bisfosfonato, pois a continuação do tratamento pode prejudicar a cicatrização e aumentar o risco de fraturas futuras. É fundamental manter a suplementação adequada de cálcio e vitamina D para otimizar a saúde óssea e apoiar o processo de reparo. Em alguns casos, podem ser considerados agentes anabólicos, como a teriparatida, para promover a formação óssea. O tratamento cirúrgico é geralmente necessário para estabilizar a fratura. O prognóstico é variável, e a vigilância para o fêmur contralateral é essencial devido ao risco aumentado de FAF bilateral.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para uma Fratura Atípica de Fêmur (FAF)?

Os critérios incluem localização subtrocantérica ou diafisária, trauma mínimo ou ausente, padrão transversal ou oblíquo curto, não cominutiva ou com cominuição mínima, e espessamento cortical lateral ou medial. Dor prodrômica na coxa é comum.

Por que o alendronato deve ser suspenso em casos de FAF?

Os bisfosfonatos, como o alendronato, suprimem a remodelação óssea, o que pode levar ao acúmulo de microdanos e aumentar o risco de FAF com uso prolongado. A suspensão permite a retomada da remodelação óssea e a cicatrização da fratura.

Qual a importância do cálcio e vitamina D no manejo da osteoporose e FAF?

Cálcio e vitamina D são fundamentais para a saúde óssea e a remodelação. Mesmo após a suspensão do bisfosfonato, a manutenção desses suplementos é essencial para otimizar a cicatrização da fratura e o tratamento da osteoporose subjacente.

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