UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 80a, está internada na enfermaria de ortopedia em pós-operatório de correção de fratura fêmur direito. A fratura ocorreu há sete dias, sem trauma. Antecedentes pessoais: diabetes melito, hipertensão arterial, osteoporose e depressão. Medicamentos em uso: metformina, enalapril, alendronato e fluoxetina. Considerando o contexto clínico e a imagem radiológica (IMAGEM Q3): A etiologia mais provável da fratura é:
Uso crônico de bisfosfonatos (>5 anos) + Fratura femoral sem trauma → Fratura atípica.
O uso prolongado de bisfosfonatos pode causar supressão excessiva do turnover ósseo, levando a fraturas atípicas de traço transverso na região subtrocantérica ou diafisária do fêmur.
Os bisfosfonatos, como o alendronato, são fundamentais no tratamento da osteoporose, reduzindo significativamente o risco de fraturas vertebrais e de quadril típicas. No entanto, sua farmacocinética de longa permanência no osso pode levar a uma complicação rara, mas grave: a fratura atípica do fêmur. Esta condição está associada ao uso por mais de 5 a 8 anos. Clinicamente, muitos pacientes apresentam dor na região lateral da coxa ou virilha semanas antes da fratura completa ocorrer. O reconhecimento precoce dessas 'fraturas de estresse' é vital. A estratégia de 'drug holiday' (pausa terapêutica) após 5 anos de uso oral ou 3 anos de uso intravenoso é frequentemente discutida para mitigar esse risco em pacientes de risco moderado, mantendo a vigilância clínica e densitométrica.
As fraturas atípicas ocorrem geralmente na região subtrocantérica ou diafisária, apresentam traço transverso ou oblíquo curto, não são cominutivas e frequentemente exibem um 'bico' cortical (espessamento da cortical) no local da fratura.
Embora protejam contra fraturas osteoporóticas comuns, o uso prolongado suprime excessivamente os osteoclastos. Isso impede o remodelamento ósseo normal e o reparo de microdanos diários, tornando o osso 'congelado' e mais suscetível a fraturas por estresse.
Deve-se suspender o bisfosfonato e avaliar a necessidade de agentes anabólicos (como teriparatida). Se houver dor prodrômica na coxa e evidência radiológica de reação cortical, pode ser necessária a fixação profilática com haste intramedular.
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