USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente é admitido na sala de emergência com história de trauma facial por agressão. Apresenta grande hematoma periorbital unilateral e refere agressão por soco na órbita. O exame clínico é prejudicado pelo edema e pela dor. Foi solicitada tomografia computadorizada de face que revela grande enfisema subcutâneo periorbital. Dentre as alternativas a seguir, qual outro achado provavelmente explica o referido enfisema de subcutâneo, na tomografia realizada?
Enfisema subcutâneo após trauma orbital → Fratura de assoalho (comunicação com seio maxilar).
O enfisema subcutâneo periorbital ocorre quando o ar dos seios paranasais (geralmente o maxilar) escapa para os tecidos moles através de uma fratura óssea na parede orbital.
As fraturas de assoalho de órbita, conhecidas como fraturas 'blow-out', resultam de um aumento súbito da pressão intraorbital causado por um objeto rombo (como um soco ou bola). Como o assoalho é uma das partes mais finas da órbita, ele se rompe para descompressão, frequentemente herniando conteúdo orbital para o seio maxilar. A tomografia computadorizada é o padrão-ouro, revelando a descontinuidade óssea, o sinal da 'gota' (herniação de gordura/músculo) e o enfisema subcutâneo. O manejo pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da presença de diplopia persistente, aprisionamento muscular comprovado em teste de ducção forçada ou enoftalmia esteticamente significativa (> 2mm).
O enfisema subcutâneo ocorre devido à ruptura de uma das paredes da órbita que faz fronteira com os seios paranasais (seio maxilar no assoalho ou seio etmoidal na parede medial). Quando há um aumento da pressão intranasal (como ao assoar o nariz) ou simplesmente pela descontinuidade óssea, o ar penetra nos tecidos moles periorbitais. É um sinal clínico e radiológico patognomônico de fratura de parede orbital comunicante com cavidade aérea.
Os sinais clássicos incluem hematoma periorbital (olho em guaxinim), enoftalmia (devido ao aumento do volume orbital ou herniação de gordura), diplopia (especialmente ao olhar para cima, por aprisionamento do músculo reto inferior ou edema) e hipoestesia no território do nervo infraorbital (bochecha e lábio superior). O enfisema subcutâneo é comum e pode ser sentido como crepitação à palpação.
A conduta inicial inclui a estabilização do paciente e a realização de TC de face. É crucial orientar o paciente a NÃO assoar o nariz (manobra de Valsalva), para evitar a progressão do enfisema e o risco de celulite orbital ou compressão do nervo óptico. Antibioticoterapia profilática é frequentemente discutida para cobrir patógenos dos seios da face, e a avaliação oftalmológica é obrigatória para descartar lesões do globo ocular.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo