AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Paciente feminina, de 50 anos, é trazida ao pronto-socorro vítima de queda de altura, cerca de 2 metros. Refere ter caído sentada e queixa-se de dor no quadril e no terço distal do antebraço esquerdo que se encontra deformado. Ao exame apresenta os seguintes dados vitais: P: 122 bpm, PA: 110x70 mmHg, T: 36,4ºC, FR: 20 mpm, Saturação de O2: 98%. Tórax com MV+ bilateral, sem ruídos adventícios. Abdome plano, flácido, doloroso a palpação em andar inferior, sem sinais de peritonite. Instabilidade pélvica a palpação lateral com discreto alargamento da sínfise púbica. Em relação a este caso clínico, analise as assertivas abaixo: I. O exame FAST só é capaz de confirmar a presença de líquido intraperitoneal com avaliação limitada do espaço retroperitoneal e incapacidade de qualificar a natureza do líquido intraperitoneal. II. A ausência de líquido intraperitoneal em um exame FAST nesta paciente deve levantar a possibilidade de uma grande hemorragia retroperitoneal por fratura do anel pélvico. III. A abordagem inicial da pelve pode ser realizada através da estabilização do anel pélvico e contrapressão externa. IV. Levando-se em consideração o mecanismo do trauma, o achado do exame físico e os dados vitais, deve ser iniciado protocolo de hemotransfusão maciça e a estratégia de hipotensão permissiva. Estão corretas as assertivas:
Instabilidade pélvica + Choque → Estabilização externa + Transfusão maciça; FAST não exclui sangramento retroperitoneal.
Em traumas pélvicos de alta energia, o sangramento é predominantemente retroperitoneal, onde o FAST tem sensibilidade limitada. A estabilização mecânica e o suporte volêmico agressivo são prioridades.
O manejo do trauma pélvico exige compreensão da anatomia do anel pélvico e dos espaços retroperitoneais. Pacientes com queda de altura e dor pélvica devem ser triados para instabilidade mecânica. A presença de taquicardia e hipotensão em um cenário de trauma pélvico, mesmo com FAST negativo, sugere fortemente hematoma retroperitoneal expansivo. As diretrizes atuais do ATLS enfatizam a estabilização precoce e a ressuscitação balanceada. A hipotensão permissiva é utilizada até que o controle definitivo da hemorragia seja alcançado, evitando o agravamento do sangramento por níveis pressóricos excessivos antes da hemostasia.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é projetado para detectar líquido livre (sangue) no espaço intraperitoneal. Nas fraturas de anel pélvico, a grande maioria dos sangramentos ocorre no espaço retroperitoneal, que não é visualizado adequadamente pelo ultrassom à beira do leito, podendo gerar um falso-negativo para choque hipovolêmico de origem pélvica.
O protocolo de transfusão maciça deve ser iniciado em pacientes com sinais de choque hemorrágico grave (Classe III ou IV), como hipotensão, taquicardia persistente e evidência de sangramento ativo importante (como instabilidade pélvica). A estratégia visa repor precocemente hemácias, plasma e plaquetas para evitar a tríade da morte (acidose, coagulopatia e hipotermia).
A estabilização externa (com lençol ou cintas pélvicas) reduz o volume pélvico, promove o tamponamento de sangramentos venosos e de superfícies ósseas fraturadas, além de diminuir a dor e prevenir o deslocamento de coágulos, sendo uma medida salvadora de vidas na abordagem inicial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo