AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente feminina, 84 anos, apresenta massa renal esquerda de 14 cm, sugestiva de carcinoma de células claras, sem metástases à distância. É hipertensa controlada, perdeu 5 kg nos últimos 4 meses, refere fadiga e marcha lenta. Necessita de ajuda parcial nas atividades instrumentais de vida diária. No teste de levantar-se da cadeira 5 vezes, levou 18 segundos. Considerando o impacto da fragilidade sobre resultados cirúrgicos, qual das alternativas descreve a conduta mais adequada?
Idoso frágil + Cirurgia de grande porte → Avaliação Geriátrica Ampla (AGA).
A fragilidade é um preditor de complicações pós-operatórias superior à idade cronológica isolada, exigindo avaliação multidimensional e otimização pré-operatória.
A fragilidade é um estado de vulnerabilidade biológica que aumenta significativamente o risco de desfechos adversos, como hospitalização prolongada, institucionalização e morte após estressores como uma cirurgia de grande porte. No contexto oncológico, o tratamento de idosos exige uma abordagem equilibrada entre o controle da doença e a preservação da funcionalidade. O teste de levantar da cadeira (Timed Up and Go ou variações) é uma ferramenta simples e validada para triagem de fragilidade. A conduta moderna preconiza que pacientes frágeis passem por uma Avaliação Geriátrica Ampla para guiar a decisão terapêutica, permitindo intervenções de pré-habilitação que podem converter um paciente de alto risco em um candidato cirúrgico mais seguro.
A fragilidade é uma síndrome geriátrica caracterizada pela redução da reserva fisiológica e da resistência a estressores, resultante do declínio cumulativo de múltiplos sistemas fisiológicos. Clinicamente, é frequentemente avaliada pelo fenótipo de Fried (perda de peso não intencional, exaustão, fraqueza muscular, lentidão da marcha e baixa atividade física) ou por índices de fragilidade baseados no acúmulo de déficits. No caso clínico, a marcha lenta e o tempo prolongado no teste de levantar da cadeira são indicadores claros de fragilidade.
A AGA é um processo diagnóstico multidimensional que avalia a capacidade funcional, saúde física, cognição, saúde mental e suporte socioambiental do idoso. Em pacientes cirúrgicos, a AGA ajuda a identificar riscos que os escores cardiológicos tradicionais não captam, como o risco de delirium pós-operatório, quedas, perda de independência e mortalidade a longo prazo. Além disso, permite a 'pré-habilitação', que é a otimização nutricional e física do paciente antes do procedimento para melhorar os desfechos.
A idade cronológica isolada não é uma contraindicação para cirurgias oncológicas. No entanto, a idade biológica, refletida pelo status de fragilidade e comorbidades, é o que realmente determina o risco-benefício. Em um paciente de 84 anos com uma massa renal de 14 cm e sinais de fragilidade, a decisão deve ser compartilhada, considerando a expectativa de vida, a agressividade do tumor e o desejo da paciente, sempre precedida por uma avaliação geriátrica para minimizar riscos e planejar o cuidado pós-operatório.
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