Fragilidade e Cognição no Idoso: Diagnóstico Diferencial

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 75 anos de idade, apresenta queixa de fraqueza, de dificuldade para caminhar e diminuição da resistência ao exercício, o qual realiza 30 minutos 3 vezes na semana. Informa uma queda no último ano; o mesmo ocorreu no ano anterior. Nega perda ponderal ou sensação de exaustão. Relata queixa de memória, mas sem prejuízo nas atividades laborais. Avaliação geriátrica ampla: força de preensão palmar = 30 kgf, velocidade de marcha = 0,7 m/s, circunferência de panturrilha = 35 cm, MoCA (Montreal Cognitive Assessment) = 28/30, teste do desenho do relógio = 13/15 e fluência verbal = 17 pontos (categoria animal). Quais são as principais hipóteses diagnósticas?

Alternativas

  1. A) Pré-fragilidade e declínio cognitivo subjetivo.
  2. B) Caidor crônico e comprometimento cognitivo leve.
  3. C) Sarcopenia e transtorno neurocognitivo leve.
  4. D) Fragilidade e transtorno neurocognitivo maior.

Pérola Clínica

Queixa de memória + Testes normais = Declínio Cognitivo Subjetivo.

Resumo-Chave

A pré-fragilidade é um estágio intermediário da síndrome de fragilidade. O declínio cognitivo subjetivo ocorre quando há percepção de perda de memória sem déficit objetivo nos testes neuropsicológicos.

Contexto Educacional

A fragilidade é uma síndrome geriátrica multidimensional caracterizada pela redução da reserva fisiológica e vulnerabilidade a estressores. No caso clínico, o paciente apresenta lentidão de marcha (0,7 m/s) e história de quedas, mas mantém força de preensão e circunferência de panturrilha normais, além de negar exaustão, configurando pré-fragilidade. No aspecto cognitivo, a pontuação no MoCA (28/30) e no teste do relógio estão dentro da normalidade para a escolaridade provável, indicando que a queixa de memória não se traduz em déficit objetivo. Esse quadro define o Declínio Cognitivo Subjetivo, que é um fator de risco para progressão futura, mas não preenche critérios para transtorno neurocognitivo no momento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Fried para fragilidade?

Os cinco critérios são: perda de peso não intencional, exaustão autorreferida, baixa atividade física, lentidão da velocidade de marcha e redução da força de preensão palmar. 3 ou mais critérios definem fragilidade; 1 ou 2 definem pré-fragilidade.

O que caracteriza o Comprometimento Cognitivo Leve (CCL)?

O CCL (ou Transtorno Neurocognitivo Leve) caracteriza-se por queixa cognitiva confirmada por testes objetivos alterados, mas com manutenção da independência nas atividades de vida diária, ao contrário da demência.

Qual a importância da velocidade de marcha na geriatria?

A velocidade de marcha é considerada o 'sexto sinal vital' no idoso. Valores abaixo de 0,8 m/s estão fortemente associados a maior risco de quedas, hospitalização, declínio funcional e mortalidade.

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