INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Recém-nascido de 36 semanas de idade gestacional encontra- se em alojamento conjunto de maternidade municipal, em companhia de sua mãe. Médico assistente verificou que o bebê é filho de mãe diabética, possui dois irmãos saudáveis e o parto foi cesariano. O peso ao nascimento foi 2,5 kg. O tipo sanguíneo da mãe é A negativo, e o da criança, A positivo. No exame, o recém-nascido mostrou-se ativo, mamando, e corado. Icterícia presente até a zona 2. Exames cardiovascular, respiratório e segmentar normais para a idade. O médico solicitou dosagem de bilirrubina total e o valor encontrado, às 18 horas de vida do recém-nascido, foi de 12 mg/dL.Nesse caso, visando-se evitar a principal complicação advinda da condição descrita, a conduta recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria é
Icterícia neonatal: RN 36 semanas, BT 12 mg/dL às 18h de vida → indicação de fototerapia para prevenir kernicterus.
A avaliação da icterícia neonatal deve considerar a idade gestacional, fatores de risco (incompatibilidade ABO/Rh, mãe diabética) e o nível de bilirrubina em relação à idade pós-natal em horas. Prematuros tardios e RN com fatores de risco têm limiares mais baixos para intervenção.
A icterícia neonatal é uma condição comum, mas que exige atenção, especialmente em recém-nascidos com fatores de risco. A hiperbilirrubinemia não conjugada, se não tratada adequadamente, pode levar a uma complicação grave e irreversível: o kernicterus. A avaliação deve ser criteriosa, considerando a idade gestacional, a idade pós-natal em horas e a presença de fatores de risco para doença hemolítica ou outras causas de icterícia. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e outras diretrizes internacionais fornecem nomogramas que correlacionam os níveis de bilirrubina total com a idade do bebê em horas e a presença de fatores de risco para determinar a necessidade de fototerapia ou exsanguineotransfusão. Fatores como prematuridade, incompatibilidade Rh ou ABO, e mãe diabética aumentam o risco de hiperbilirrubinemia significativa e diminuem o limiar para intervenção. A fototerapia é o tratamento inicial mais comum e eficaz, atuando na fotoisomerização da bilirrubina na pele, tornando-a mais hidrossolúvel e facilmente excretável. A prevenção do kernicterus é o objetivo primordial do manejo da icterícia neonatal. O acompanhamento rigoroso dos níveis de bilirrubina, a identificação precoce de fatores de risco e a instituição oportuna da fototerapia são cruciais. Em casos de falha da fototerapia intensiva ou níveis muito elevados de bilirrubina, a exsanguineotransfusão pode ser necessária para remover rapidamente a bilirrubina e anticorpos circulantes.
Os principais fatores de risco incluem prematuridade (idade gestacional < 38 semanas), icterícia nas primeiras 24 horas de vida, doença hemolítica (incompatibilidade ABO ou Rh), cefalohematoma ou equimoses significativas, amamentação exclusiva com perda de peso excessiva e história de irmão com icterícia que necessitou de fototerapia.
Recém-nascidos prematuros, especialmente os prematuros tardios (34-36 semanas), possuem um sistema de conjugação e excreção de bilirrubina mais imaturo e uma barreira hematoencefálica mais permeável, o que os torna mais suscetíveis à toxicidade da bilirrubina em níveis mais baixos. Por isso, os limiares para fototerapia são mais baixos para eles.
A principal complicação é o kernicterus, uma forma de encefalopatia bilirrubínica crônica. Caracteriza-se por danos neurológicos permanentes causados pela deposição de bilirrubina não conjugada nos gânglios da base e outras regiões cerebrais, levando a paralisia cerebral atetoide, perda auditiva e problemas de desenvolvimento.
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