ENARE/ENAMED — Prova 2025
Pedro Paulo, um homem de 41 anos, foi admitido no pronto-socorro após sofrer queimaduras extensas em um incêndio no seu local de trabalho. Ele apresentava queimaduras de segundo grau que cobriam aproximadamente 45% de sua superfície corporal total (SCT). O paciente pesava 70 kg e estava consciente e lúcido, mas sentia dor intensa e desconforto. Os sinais vitais eram: frequência cardíaca: 120 bpm; pressão arterial de 100/60 mmHg; frequência respiratória de 24 ipm e saturação de oxigênio de 94% em ar ambiente. Seu médico decidiu iniciar a reanimação hídrica imediatamente.A melhor abordagem inicial para a reanimação hídrica de Pedro Paulo é:
Reanimação hídrica em queimados (Parkland): 4 mL RL/kg/%SCT, metade nas 8h iniciais, restante nas 16h seguintes.
A reanimação hídrica em pacientes queimados com mais de 20% da Superfície Corporal Total (SCT) queimada é crucial para prevenir o choque hipovolêmico. A fórmula de Parkland é o padrão-ouro, utilizando Ringer Lactato na dose de 4 mL/kg/%SCT nas primeiras 24 horas, com metade do volume administrado nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes.
As queimaduras extensas representam uma das emergências mais desafiadoras na medicina, com alta morbimortalidade. O manejo inicial é crítico e visa estabilizar o paciente, prevenir o choque e minimizar as complicações. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica maciça, levando a um aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de plasma para o interstício, resultando em edema generalizado e hipovolemia. Pacientes com mais de 20% da Superfície Corporal Total (SCT) queimada necessitam de reanimação hídrica agressiva. A reanimação hídrica é a pedra angular do tratamento inicial de grandes queimados. A fórmula de Parkland é o método mais amplamente aceito para calcular o volume de fluidos necessário nas primeiras 24 horas. Ela preconiza a administração de 4 mL de Ringer Lactato por quilograma de peso corporal por porcentagem de SCT queimada (4 mL x peso (kg) x %SCT). É crucial que metade desse volume total seja administrada nas primeiras 8 horas a partir do momento da queimadura (não da chegada ao hospital), e a outra metade nas 16 horas subsequentes. A monitorização da resposta à fluidoterapia, como débito urinário (0,5-1 mL/kg/h em adultos), é essencial para ajustar o volume. O uso de soluções coloidais, como albumina, não é recomendado nas primeiras 8-12 horas devido ao aumento da permeabilidade capilar, que permitiria o extravasamento do coloide para o interstício, agravando o edema. A administração excessiva ou insuficiente de fluidos pode levar a complicações graves, como síndrome compartimental abdominal ou insuficiência renal. Residentes devem dominar o cálculo e a administração da reanimação hídrica, bem como a monitorização contínua do paciente queimado para garantir um manejo adequado e otimizar o prognóstico.
A reanimação hídrica é vital para prevenir o choque hipovolêmico, que é a principal causa de morte nas primeiras horas após queimaduras extensas. A perda de fluidos para o terceiro espaço devido ao aumento da permeabilidade capilar é maciça, exigindo reposição agressiva.
O Ringer Lactato é a solução cristaloide de escolha devido à sua composição eletrolítica mais próxima do plasma, o que ajuda a corrigir a acidose metabólica que frequentemente acompanha grandes queimaduras e minimiza os distúrbios eletrolíticos.
A SCT em adultos pode ser estimada pela 'regra dos noves', onde a cabeça e cada braço correspondem a 9%, o tronco anterior e posterior a 18% cada, e cada perna a 18%. A palma da mão do paciente corresponde a aproximadamente 1% da SCT.
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