FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
A última atualização do ATLS preconiza, em vítimas de queimaduras extensa, a estimativa da superfície corporal queimada por meio da regra dos nove. Com base nessa informação, assinale a alternativa que apresenta a forma de calcular a reposição volêmica e a forma de monitoramento do doente em relação à hidratação.
ATLS 10ª ed. → Reposição volêmica no queimado adulto = 2 mL x Peso (kg) x %SCQ, com meta de diurese de 0,5 mL/kg/h.
A fórmula de Parkland foi modificada no ATLS 10ª ed. para 2 mL/kg/%SCQ em adultos para reduzir o risco de 'fluid creep' (ressuscitação excessiva) e síndrome compartimental. O débito urinário continua sendo o principal guia da adequação da hidratação.
A reposição volêmica adequada é um pilar fundamental no manejo inicial do paciente grande queimado, visando prevenir o choque hipovolêmico e a disfunção de órgãos. A perda de fluidos ocorre devido ao aumento da permeabilidade capilar induzida pela resposta inflamatória sistêmica à queimadura. O cálculo da área de Superfície Corporal Queimada (SCQ), geralmente pela 'Regra dos Nove', é o primeiro passo para estimar a necessidade de fluidos. A 10ª edição do Advanced Trauma Life Support (ATLS) recomenda a utilização da Fórmula de Parkland Modificada para adultos, que consiste em 2 mL de Ringer Lactato x Peso (kg) x %SCQ. Essa mudança da fórmula clássica (4 mL) visa mitigar os riscos de sobrecarga hídrica. O volume total calculado deve ser infundido com metade nas primeiras 8 horas do evento e a outra metade nas 16 horas subsequentes. Mais importante que o cálculo inicial é a monitorização contínua e o ajuste da taxa de infusão com base na resposta do paciente. O principal parâmetro para guiar a terapia é o débito urinário, que deve ser mantido em 0,5 mL/kg/h para adultos e 1 mL/kg/h para crianças com menos de 30 kg. A sondagem vesical de demora é, portanto, mandatória para um controle rigoroso.
A 'Regra dos Nove' atribui 9% para a cabeça e pescoço, 9% para cada membro superior, 18% para a face anterior do tronco, 18% para a face posterior do tronco, 18% para cada membro inferior e 1% para o períneo. Apenas queimaduras de 2º e 3º graus são incluídas no cálculo.
Metade do volume total calculado deve ser infundido nas primeiras 8 horas a partir do momento da queimadura (não da chegada ao hospital), e a outra metade deve ser administrada nas 16 horas seguintes.
A ressuscitação excessiva ('fluid creep') pode levar a complicações graves como edema pulmonar, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), síndrome compartimental de membros e síndrome compartimental abdominal, aumentando a morbimortalidade.
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