MedEvo Simulado — Prova 2026
Ricardo, um homem de 32 anos, pesando 70 kg, é levado à unidade de emergência após sofrer queimaduras térmicas de segundo grau em tronco anterior e em todo o membro superior direito, decorrentes de uma explosão com álcool doméstico. Ao exame físico, apresenta-se estável hemodinamicamente, com dor intensa e áreas de eritema e bolhas. Com base na Regra dos Nove, estima-se que a superfície corporal total (SCT) queimada seja de 27%. Ao planejar a reanimação volêmica inicial utilizando a fórmula de Parkland (4 ml/kg/%SCT), a conduta adequada é:
Parkland = 4ml x kg x %SCT; 50% do volume nas primeiras 8h *contadas do momento do acidente*.
A reanimação volêmica no grande queimado utiliza preferencialmente Ringer Lactato, com a metade do volume total infundida nas primeiras 8 horas pós-trauma para compensar o pico de permeabilidade capilar.
A reanimação volêmica é o pilar do tratamento do paciente com queimaduras extensas (geralmente >15-20% da SCT). A fórmula de Parkland (4ml x peso x %SCT) é amplamente utilizada, embora diretrizes mais recentes do ATLS e da American Burn Association sugiram iniciar com 2ml/kg/%SCT para evitar a 'ressuscitação excessiva' (fluid creep), reservando 4ml para queimaduras elétricas. O fluido de escolha é o Ringer Lactato devido ao seu perfil eletrolítico e capacidade de tamponamento. Clinicamente, o manejo exige monitorização rigorosa. Além do débito urinário, parâmetros como frequência cardíaca, pressão arterial e estado mental devem ser avaliados. Em pacientes que não respondem à reposição volêmica agressiva ou que apresentam sinais de sobrecarga, a introdução de coloides (como albumina) pode ser considerada após as primeiras 12-24 horas, quando a permeabilidade capilar começa a se estabilizar, ajudando a manter a pressão oncótica intravascular.
O Ringer Lactato é a solução de escolha na reanimação volêmica de grandes queimados porque sua composição eletrolítica é mais próxima da do plasma humano em comparação ao Soro Fisiológico 0,9%. O uso de grandes volumes de SF 0,9% pode levar à acidose metabólica hiperclorêmica, o que agrava o estado metabólico do paciente crítico. O lactato presente no Ringer também atua como um sistema tampão, auxiliando na correção da acidose lática decorrente da hipoperfusão tecidual inicial. Em queimaduras extensas, onde a perda de fluidos e eletrólitos é massiva, a manutenção do equilíbrio ácido-básico é crucial para a estabilidade hemodinâmica e prevenção de complicações renais.
Após a administração da primeira metade do volume calculado pela fórmula de Parkland nas primeiras 8 horas (contadas do acidente), a segunda metade do volume deve ser administrada nas 16 horas subsequentes. No entanto, é fundamental entender que a fórmula de Parkland é apenas um guia inicial. O ajuste real da taxa de infusão deve ser baseado na resposta clínica do paciente, sendo o débito urinário o principal parâmetro. Para adultos, o objetivo é manter uma diurese entre 0,5 e 1,0 ml/kg/h. Se o débito estiver abaixo disso, a taxa de infusão deve ser aumentada; se estiver acima, deve ser reduzida para evitar sobrecarga volêmica e edema pulmonar.
O tempo zero para o cálculo da reanimação volêmica é o momento em que a queimadura ocorreu, e não o momento da admissão hospitalar. Isso ocorre porque o extravasamento de fluido para o espaço intersticial, devido ao aumento da permeabilidade capilar mediado por citocinas inflamatórias, começa imediatamente após a lesão térmica. Se um paciente chega ao hospital 3 horas após o acidente, a primeira metade do volume calculado deve ser infundida nas 5 horas restantes para completar o período inicial de 8 horas. O atraso na reposição hídrica adequada pode levar à hipovolemia grave, choque distributivo e necrose tubular aguda.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo