AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
As formas clínicas de desnutrição grave são classificadas em edematosa e não edematosa. Na forma não edematosa ocorre o marasmo. Sobre o marasmo analise as afirmativas abaixo: I. É mais frequente em crianças menores de 12 meses de idade. II. O paciente geralmente apresenta distensão abdominal. III. O paciente geralmente apresenta diarreia crônica e atraso global no desenvolvimento neuropsicomotor. Assinale a alternativa correta:
Marasmo = Deficiência calórica global + ausência de edema + atrofia muscular intensa.
O marasmo é uma forma crônica de desnutrição por privação energética total, resultando em emagrecimento extremo e atraso no desenvolvimento.
A desnutrição grave na infância é classificada em formas edematosas (Kwashiorkor) e não edematosas (Marasmo). O marasmo é mais comum em lactentes menores de 1 ano e reflete uma inanição prolongada. Clinicamente, observa-se o desaparecimento da bola gordurosa de Bichat, conferindo ao paciente uma aparência envelhecida. O atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e a diarreia crônica são complicações frequentes devido à atrofia da mucosa intestinal e comprometimento do sistema nervoso central. O tratamento segue os protocolos da OMS, divididos em estabilização, reabilitação e acompanhamento, sempre com foco na prevenção da síndrome de realimentação e no suporte nutricional progressivo.
O marasmo decorre de uma privação global e crônica de calorias e proteínas, levando a um estado de adaptação onde o corpo consome suas próprias reservas de gordura e músculo para sobreviver, mantendo níveis de albumina relativamente preservados. Já o Kwashiorkor é caracterizado por uma deficiência proteica aguda e relativa em relação à ingestão calórica. Isso gera estresse oxidativo, disfunção hepática e hipoalbuminemia severa, resultando no edema generalizado característico, lesões de pele e infiltração gordurosa do fígado (esteatose).
Embora o marasmo seja caracterizado pela perda extrema de gordura subcutânea e atrofia muscular ('fácies senil'), a distensão abdominal é um achado frequente. Ela não ocorre por ascite ou edema (como no Kwashiorkor), mas sim devido à hipotonia extrema da musculatura da parede abdominal e das alças intestinais. Além disso, a disbiose intestinal e o supercrescimento bacteriano, comuns nesses pacientes desnutridos, levam à produção excessiva de gases, o que contribui para o aspecto de abdome protuberante em contraste com os membros finos.
A fase de estabilização foca em tratar complicações fatais imediatas: hipoglicemia, hipotermia, desidratação e infecções. É crucial evitar a Síndrome de Realimentação, iniciando a oferta calórica de forma muito cautelosa (geralmente 80-100 kcal/kg/dia) e corrigindo distúrbios eletrolíticos, especialmente potássio, magnésio e fósforo. O uso de fórmulas específicas de baixa osmolaridade (como a F-75) e a suplementação de micronutrientes são fundamentais para preparar o organismo para a fase de reabilitação e ganho de peso subsequente.
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