Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Uma primípara de 39 semanas e seis dias encontra-se no segundo período do trabalho de parto há três horas e meia. Ao exame físico, dinâmica uterina presente, cinco contrações de 50 segundos em 10 minutos e BCF de 72 batimentos por minuto sustentado. Toque vaginal com dilatação cervical de 10 cm, bolsa rota, apresentação cefálica em plano +2 de De Lee e variedade de posição OET. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada.
Bradicardia fetal sustentada + parada de progressão no 2º período com OET → fórceps de Kielland para rotação e extração.
A bradicardia fetal sustentada (BCF 72 bpm) indica sofrimento fetal agudo, exigindo resolução rápida do parto. A variedade de posição OET (Occipito Esquerda Transversa) em plano +2 de De Lee é uma distocia de rotação, idealmente corrigida com fórceps de Kielland, que permite rotação e tração.
O segundo período do trabalho de parto prolongado, especialmente em primíparas, associado a sinais de sofrimento fetal agudo, como bradicardia sustentada, exige intervenção imediata. A identificação de uma distocia de rotação, como a variedade de posição Occipito Esquerda Transversa (OET) em plano +2 de De Lee, é crucial para a escolha da conduta. Nesse cenário, o fórceps de Kielland é a ferramenta de escolha. Ele é projetado para realizar a rotação da cabeça fetal e, em seguida, a extração, minimizando o risco de trauma materno e fetal quando comparado a tentativas de rotação manual ou fórceps inadequados. A decisão por um parto operatório deve sempre considerar a experiência do operador e as condições maternas e fetais. A avaliação contínua do bem-estar fetal e da progressão do trabalho de parto é fundamental. A persistência de bradicardia fetal, como a BCF de 72 bpm, é um sinal de alerta grave que demanda resolução rápida, seja por fórceps ou cesariana, dependendo das condições clínicas e da experiência da equipe.
O fórceps de Kielland é indicado principalmente para distocias de rotação, como as variedades transversas (OET, ODT) ou oblíquas, e para rotação da cabeça fetal em planos mais altos, permitindo a correção da posição e a extração.
A distocia de rotação é identificada por toque vaginal, observando a variedade de posição fetal (ex: occipito-transversa ou oblíqua) que não progride para uma posição anterior ou posterior, mesmo com boa dinâmica uterina e dilatação completa.
O fórceps de Kielland possui curvatura pélvica mínima e é ideal para rotação em planos mais altos, enquanto o fórceps de Simpson tem curvatura pélvica acentuada e é usado para extração em variedades de posição já favoráveis e em planos mais baixos.
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