Delirium Pós-Operatório: Diagnóstico e Estratégias de Manejo

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente, 50 anos, foi internado para colocação de uma prótese total do joelho esquerdo devido à uma osteoartrite. Estava assintomático no leito da enfermaria, todavia, no quinto dia de PO, o paciente iniciou quadro de desorientação temporal e espacial, choro sem motivo aparente, alucinações visuais e agitação psicomotora, Sobre este caso clínico, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Provavelmente o paciente já apresentava sintoma depressivo ou ciclotimia e, assim, devese iniciar o tratamento com antidepressivos e estabilizador de humor. 
  2. B) A cirurgia de grande porte, associada a uma internação hospitalar, pode ter desencadeado uma síndrome depressiva grave, o que justificaria os sintomas. Pode-se iniciar o tratamento com antidepressivos tricíclicos.
  3. C) O paciente tem provável delirium e as causas dessa síndrome podem ser dor, infecções ou distúrbios hidroeletrolíticos. Todos esses devem ser rastreados e deve ser iniciado o tratamento com benzodiazepínicos.
  4. D) Possivelmente, trata-se de um quadro de delirium, quando se deve tentar afastar as causas clínicas que possam desencadear essa síndrome e tratar os sintomas com antipsicóticos.

Pérola Clínica

Delirium pós-operatório → desorientação, alucinações, agitação. Rastrear causas clínicas (dor, infecção, distúrbios) e tratar com antipsicóticos.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, comum no pós-operatório de idosos, caracterizada por desatenção, desorganização do pensamento e alteração do nível de consciência. Suas causas são multifatoriais, incluindo dor, infecções, distúrbios hidroeletrolíticos e polifarmácia. O manejo envolve a identificação e correção das causas subjacentes, além do tratamento sintomático com antipsicóticos, se necessário.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, caracterizada por uma alteração flutuante da atenção, nível de consciência e cognição. É uma condição comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e aqueles submetidos a cirurgias de grande porte, como a artroplastia de joelho. Sua prevalência no pós-operatório pode chegar a 30-50% em populações de risco, sendo um preditor independente de pior prognóstico, aumento da mortalidade e tempo de internação. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrios neuroquímicos (principalmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. Os fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades, polifarmácia, privação de sono, dor, infecções, distúrbios hidroeletrolíticos e uso de cateteres. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e pode ser auxiliado por ferramentas como o CAM (Confusion Assessment Method). O manejo do delirium é uma prioridade e deve ser multifacetado. A primeira etapa é identificar e tratar as causas subjacentes. Medidas não farmacológicas, como reorientação, otimização do ambiente, mobilização precoce e garantia de sono adequado, são fundamentais. O tratamento farmacológico, com antipsicóticos (ex: haloperidol em baixas doses), é reservado para casos de agitação grave que representem risco ao paciente ou à equipe, devendo-se evitar benzodiazepínicos, que podem agravar o quadro. Residentes devem estar aptos a reconhecer e manejar o delirium precocemente para melhorar os desfechos dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do delirium?

Os principais sinais e sintomas do delirium incluem desatenção, desorientação temporal e espacial, pensamento desorganizado, alteração do nível de consciência, distúrbios do ciclo sono-vigília, alucinações (visuais são comuns) e agitação psicomotora ou letargia. A flutuação dos sintomas ao longo do dia é característica.

Quais são as causas mais comuns de delirium em pacientes internados?

As causas são multifatoriais e incluem infecções (urinárias, pulmonares), distúrbios hidroeletrolíticos (desidratação, hiponatremia), dor não controlada, uso de múltiplos medicamentos (especialmente sedativos, opioides, anticolinérgicos), privação de sono, abstinência de álcool ou drogas, e condições médicas agudas.

Qual a abordagem terapêutica para o delirium?

A abordagem terapêutica envolve a identificação e correção das causas subjacentes (ex: tratar infecção, corrigir eletrólitos, controlar dor). O tratamento não farmacológico (reorientação, ambiente calmo, sono adequado) é prioritário. Se houver agitação grave ou risco para o paciente/equipe, antipsicóticos de baixa dose (ex: haloperidol) podem ser usados, evitando benzodiazepínicos, que podem piorar o quadro.

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