SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um paciente de 8 anos de idade foi levado à consulta de rotina. Os pais relataram que a criança apresenta dificuldade de aprendizagem na leitura. Na anamnese, o médico verificou que o desenvolvimento psicomotor está adequado para a idade, a criança apresenta boa interação social, tem interesse em aprender, comunica-se bem, porém refere dificuldade em entender o que lhe é apresentado de modo escrito. Na escola, a criança é considerada tranquila e atenta as aulas, mas vem ficando mais isolada nos últimos tempos por ter vergonha do baixo rendimento escolar. No que tange ao provável diagnóstico, assinale a alternativa correta.
Dislexia: Dificuldade persistente na leitura, apesar de inteligência normal e instrução adequada; história familiar é fator de risco importante.
A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem caracterizado por dificuldades na precisão e fluência da leitura, apesar de desenvolvimento psicomotor e interação social adequados. A história familiar é um dos fatores de risco mais significativos, indicando um componente genético.
A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades na precisão e/ou fluência do reconhecimento de palavras e por habilidades de decodificação e soletração deficientes. Essas dificuldades são tipicamente inesperadas em relação a outras habilidades cognitivas e à provisão de instrução eficaz em sala de aula. É crucial para residentes e profissionais de saúde reconhecerem a dislexia precocemente para permitir intervenções adequadas. A fisiopatologia da dislexia está associada a diferenças na estrutura e função cerebral, particularmente em áreas envolvidas no processamento fonológico. O diagnóstico é clínico e baseado na observação de dificuldades persistentes na leitura, apesar de inteligência média ou superior e ausência de outras condições que justifiquem as dificuldades (como deficiência intelectual, problemas visuais ou auditivos não corrigidos, ou falta de oportunidade de aprendizado). A história familiar positiva é um forte preditor, destacando o componente genético da condição. O manejo da dislexia não envolve tratamento medicamentoso direto, mas sim intervenções educacionais especializadas e individualizadas, focadas no desenvolvimento de habilidades fonológicas, decodificação e fluência de leitura. Uma conduta expectante não é apropriada, pois a dislexia não se resolve espontaneamente e a intervenção precoce é fundamental para minimizar o impacto acadêmico e psicossocial. O apoio emocional e a construção da autoestima da criança são igualmente importantes.
Os principais sinais incluem dificuldade persistente na leitura (precisão, fluência e compreensão), problemas com soletração, reconhecimento de palavras e decodificação, apesar de inteligência normal e instrução adequada para a idade.
A história familiar é um dos fatores de risco mais importantes para a dislexia, pois o transtorno tem um forte componente genético. A presença de familiares com dificuldades de leitura ou dislexia aumenta significativamente a probabilidade na criança.
Não, a dislexia é um transtorno neurobiológico persistente que não se resolve espontaneamente. Embora as estratégias de compensação possam melhorar com a idade e a intervenção, as dificuldades subjacentes na leitura geralmente permanecem, necessitando de suporte contínuo.
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