Hemotórax Traumático: Diagnóstico e Drenagem Pleural

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 25 anos foi atendido no Pronto-Atendimento por ferimento por arma branca no tórax lateral direito. À admissão, a frequência cardíaca era de 130 bpm, a pressão arterial de 90/60 mmHg e a frequência respiratória de 32 mpm. Apresentava murmúrio vesicular reduzido à direita, percussão maciça à direita, abdômen inocente, bulhas cardíacas normofonéticas e não havia turgência jugular. Após instituir oxigênio e realizar reposição de volume intravenoso (soro fisiológico a 0,9%), deve-se imediatamente

Alternativas

  1. A)  solicitar raio X de tórax e ultrassonografia torácica tipo FAST.
  2. B)  realizar punção com agulha no segundo espaço intercostal, na linha hemiclavicular.
  3. C)  realizar drenagem pleural.
  4. D)  indicar pleuroscopia.
  5. E)  indicar toracotomia anterior direita.

Pérola Clínica

Trauma torácico + instabilidade hemodinâmica + MV ↓ + macicez → Hemotórax = Drenagem pleural imediata.

Resumo-Chave

Em um paciente com trauma torácico, instabilidade hemodinâmica, murmúrio vesicular reduzido e macicez à percussão, a principal suspeita é hemotórax. Após a estabilização inicial com oxigênio e fluidos, a drenagem pleural é o procedimento imediato e salvador para evacuar o sangue e permitir a reexpansão pulmonar, melhorando a ventilação e a hemodinâmica.

Contexto Educacional

O trauma torácico é uma causa significativa de morbimortalidade, e o hemotórax é uma das lesões mais comuns e potencialmente fatais. A compreensão de sua fisiopatologia e manejo é crucial para residentes e profissionais de emergência. O hemotórax ocorre quando há acúmulo de sangue no espaço pleural, geralmente devido a lesões de vasos intercostais, vasos pulmonares ou cardíacos. Grandes volumes de sangue podem levar a choque hipovolêmico e comprometimento respiratório devido à compressão pulmonar. O diagnóstico clínico é baseado em sinais como dispneia, dor torácica, taquicardia, hipotensão, murmúrio vesicular diminuído ou ausente e macicez à percussão no lado afetado. A radiografia de tórax e a ultrassonografia (FAST) são ferramentas diagnósticas úteis, mas em pacientes instáveis com sinais claros, a conduta terapêutica não deve ser atrasada. A prioridade é estabilizar o paciente com oxigênio e reposição volêmica, seguida da drenagem pleural para evacuar o sangue e permitir a reexpansão pulmonar. A drenagem pleural é realizada com a inserção de um dreno torácico no 5º espaço intercostal, na linha axilar média ou anterior. É um procedimento salvador que alivia a compressão pulmonar e permite a monitorização do sangramento. A falha na drenagem ou a persistência de sangramento maciço (mais de 1.500 mL inicial ou >200 mL/h por 2-4h) são indicações para toracotomia de urgência. O conhecimento dessas etapas é vital para a rápida e eficaz abordagem do paciente traumatizado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de um hemotórax significativo em um paciente traumatizado?

Os sinais incluem taquicardia, hipotensão (choque hipovolêmico), taquipneia, murmúrio vesicular reduzido ou ausente no lado afetado, e macicez à percussão. Pode haver também desvio de traqueia em casos de hemotórax maciço com efeito de massa, mas é menos comum que no pneumotórax hipertensivo.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de hemotórax traumático e instabilidade hemodinâmica?

Após a avaliação primária (ABCDE) e instituição de oxigênio e acesso venoso com reposição volêmica, a conduta imediata é a drenagem pleural. Este procedimento visa evacuar o sangue do espaço pleural, permitindo a reexpansão pulmonar e a melhora da função respiratória e hemodinâmica do paciente.

Quando a toracotomia é indicada no manejo do hemotórax?

A toracotomia de urgência é indicada em casos de hemotórax maciço, definido por uma drenagem inicial de mais de 1.500 mL de sangue ou uma drenagem contínua de mais de 200 mL/hora por 2 a 4 horas. Outras indicações incluem instabilidade hemodinâmica persistente apesar da drenagem e reposição volêmica adequada.

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