UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021
MCBF. 42 anos, em uso de contraceptivo combinado oral, procura atendimento médico por apresentar fluxo papilar espontâneo, aquoso, uniductal apenas em mama esquerda. Considerando que o exame clínico, ultrassonográfico e mamográfico estão todos normais, qual a conduta correta?
Fluxo papilar espontâneo, uniductal, aquoso/seroso, exames normais → exérese do ducto para diagnóstico e tratamento.
Descargas papilares espontâneas, uniductais e de aspecto seroso, sanguinolento ou aquoso são consideradas suspeitas para malignidade ou lesões benignas como papilomas intraductais, mesmo com exames de imagem normais. A conduta padrão é a exérese cirúrgica do ducto comprometido para análise histopatológica e tratamento definitivo.
O fluxo papilar é uma queixa comum na prática ginecológica e mastológica, e sua avaliação é crucial para diferenciar condições benignas de malignas. A descarga papilar espontânea, uniductal e de aspecto seroso, sanguinolento ou aquoso é considerada patológica e requer investigação aprofundada, independentemente dos resultados de exames de imagem como ultrassonografia e mamografia, que podem ser normais em até 50% dos casos de lesões intraductais. As principais causas de fluxo papilar patológico incluem papiloma intraductal (a mais comum), ectasia ductal e, em menor proporção, carcinoma intraductal ou invasivo. A fisiopatologia envolve proliferação de células epiteliais dentro dos ductos mamários, levando à obstrução e secreção. A avaliação inicial deve incluir anamnese detalhada sobre as características do fluxo, exame físico da mama e exames de imagem. No entanto, a ausência de achados nos exames de imagem não exclui a necessidade de investigação invasiva. A conduta definitiva para o fluxo papilar patológico, especialmente o uniductal, é a exérese cirúrgica do ducto comprometido (microductectomia ou ductectomia seletiva). Este procedimento permite a obtenção de material para análise histopatológica, que é o padrão-ouro para o diagnóstico. A exérese não só diagnostica a lesão, mas também a trata, sendo curativa para a maioria dos papilomas benignos. O seguimento pós-operatório dependerá do resultado histopatológico.
As características mais preocupantes são: fluxo espontâneo, uniductal, sanguinolento, seroso ou aquoso, persistente, associado a massa palpável, ou em mulheres acima de 40 anos. Fluxos bilaterais, multiductais e leitosos são geralmente benignos.
A citologia do fluxo papilar possui baixa sensibilidade e especificidade, especialmente para lesões intraductais como o papiloma ou carcinoma in situ, que podem não descamar células atípicas em quantidade suficiente para detecção. Portanto, um resultado normal não exclui patologia significativa.
A exérese do ducto (ductectomia) é indicada para descargas papilares espontâneas, uniductais e suspeitas (serosas, sanguinolentas, aquosas), mesmo com exames de imagem normais, pois permite o diagnóstico histopatológico definitivo da lesão intraductal (papiloma, hiperplasia atípica, carcinoma) e serve como tratamento.
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