CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2024
Sobre a fisiologia do nervo óptico, assinale a alternativa correta.
Fluxo anterógrado lento = transporte da maioria das proteínas estruturais do axônio.
O fluxo axoplasmático anterógrado lento é responsável pelo transporte de componentes do citoesqueleto (como neurofilamentos e microtúbulos), representando o maior volume de massa proteica transportada.
A fisiologia do nervo óptico é centrada no transporte axonal, um processo biológico altamente dependente de energia que sustenta axônios que podem ter centímetros de comprimento, longe de seu centro metabólico (o corpo celular na retina). O fluxo axoplasmático é dividido em componentes anterógrados (do corpo para a sinapse) e retrógrados. O componente anterógrado lento é o 'cavalo de carga' estrutural, movendo os elementos que compõem a arquitetura física do nervo. Interrupções nesses fluxos, seja por compressão mecânica (como no glaucoma ou tumores) ou por isquemia, levam ao acúmulo de material axoplasmático, resultando em edema de disco óptico visível ao exame de fundoscopia. Compreender esses mecanismos é fundamental para diagnosticar neuropatias ópticas e entender a patogênese de doenças degenerativas que afetam a via visual.
O fluxo anterógrado rápido (400 mm/dia) é mediado pela cinesina e transporta organelas membranosas, vesículas sinápticas e neurotransmissores necessários para a transmissão de sinais na sinapse. Já o fluxo anterógrado lento (1-5 mm/dia) transporta proteínas estruturais do citoesqueleto, como tubulina, actina e neurofilamentos. Embora o fluxo rápido seja essencial para a função sináptica imediata, o fluxo lento é responsável pelo transporte da grande maioria da massa proteica total necessária para manter a integridade estrutural do axônio a longo prazo.
O fluxo axoplasmático retrógrado move materiais da terminação sináptica de volta para o corpo celular (sentido centrípeto) a uma velocidade de aproximadamente 200 mm/dia, utilizando a proteína motora dineína. Sua função principal é a reciclagem de componentes de membranas vesiculares e o transporte de fatores neurotróficos e sinais químicos que informam o corpo celular sobre o estado da periferia. Clinicamente, esse fluxo é relevante pois também pode transportar toxinas e vírus neurotrópicos para o sistema nervoso central.
As células gliais, predominantemente astrócitos e oligodendrócitos, são vitais para o nervo óptico. Os astrócitos fornecem suporte estrutural, regulam o microambiente iônico e participam do metabolismo energético. Os oligodendrócitos são responsáveis pela produção da bainha de mielina, que isola os axônios e permite a condução saltatória rápida. É importante notar que a mielinização do nervo óptico começa apenas atrás da lâmina crivosa; a porção intraocular do nervo óptico é normalmente amielínica para garantir a transparência e evitar a dispersão da luz.
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