CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2015
O fluxo axoplasmático das células ganglionares, mediado por dineína e cinesina, ocorre
Transporte axonal = Bidirecional (Cinesina → Anterógrado/Centrífugo; Dineína → Retrógrado/Centrípeto).
O fluxo axoplasmático nas células ganglionares utiliza proteínas motoras para mover organelas e moléculas tanto do corpo celular para o terminal sináptico quanto vice-versa.
As células ganglionares da retina são os neurônios de saída da retina, cujos axônios formam o nervo óptico. Devido à grande distância entre o corpo celular (na retina) e seus terminais sinápticos no cérebro, essas células dependem criticamente de um sistema de transporte intracelular eficiente. O fluxo axoplasmático é dividido em componentes rápido e lento. O transporte rápido (até 400 mm/dia) move organelas e vesículas, enquanto o transporte lento move proteínas estruturais do citoesqueleto. A bidirecionalidade é essencial: o sentido centrífugo supre as necessidades metabólicas e neurotransmissoras da sinapse, enquanto o sentido centrípeto permite a reciclagem de materiais e a comunicação retrógrada, essencial para a sobrevivência neuronal a longo prazo.
O transporte anterógrado (ou centrífugo) ocorre do corpo celular em direção às terminações sinápticas. É mediado principalmente pela proteína motora cinesina, que transporta mitocôndrias, vesículas sinápticas e precursores de membrana ao longo dos microtúbulos. Já o transporte retrógrado (ou centrípeto) ocorre das terminações sinápticas de volta ao corpo celular, sendo mediado pela dineína. Este sentido é fundamental para o retorno de componentes de membrana para degradação lisossômica e para o transporte de fatores neurotróficos e sinais químicos que informam o corpo celular sobre as condições do terminal axônico.
Dineína e cinesina são proteínas motoras que utilizam a energia da hidrólise do ATP para 'caminhar' sobre os microtúbulos do citoesqueleto. A cinesina geralmente se move em direção à extremidade positiva dos microtúbulos (distal ao corpo celular), facilitando o fluxo anterógrado. A dineína move-se em direção à extremidade negativa (proximal ao corpo celular), facilitando o fluxo retrógrado. Nas células ganglionares da retina, esse sistema é vital para manter a integridade de axônios extremamente longos que compõem o nervo óptico e se estendem até o núcleo geniculado lateral e colículo superior.
A interrupção do fluxo axoplasmático é um mecanismo fisiopatológico central em diversas neuropatias ópticas. No glaucoma, por exemplo, o aumento da pressão intraocular na lâmina crivosa pode comprimir os axônios das células ganglionares, bloqueando o transporte de fatores neurotróficos essenciais. Isso leva ao sofrimento e eventual apoptose celular. Da mesma forma, no edema de papila, o acúmulo de material de transporte axoplasmático no disco óptico é o que gera o aspecto inchado e turvo observado na fundoscopia. Portanto, a integridade desse fluxo é sinônimo de saúde neuronal e funcionalidade visual.
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