PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2023
Paciente de 78 anos, sexo masculino, aposentado, tabagista, hipertenso com tratamento irregular, dá entrada na emergência com quadro de dor precordial iniciada há 3 horas, irradiando para ambos os membros superiores, desencadeada após tentar trocar o galão de 20L de água mineral do filtro da sua casa. Na admissão, apresenta-se sudoreico, FC 110bpm, pulso ritmico, PA 160x100mmHg, com creptações pulmonares à ausculta, SatO2 87% em ar ambiente, FR 32ipm, dispneia. Realizou ECG: O paciente acima evoluiu após alguns minutos com FC 147bpm, pulso fino, PA 80x60mmHg, rebaixamento do nível de consciência, dessaturação. Foi realizado o ECG abaixo: Sobre o ECG, marque a alternativa que indica o ritmo:
Ondas F (serrilhado) + FC rítmica ~150 bpm → Flutter Atrial.
O flutter atrial é uma arritmia por reentrada no átrio direito. Em pacientes instáveis (choque, congestão), a conduta imediata é a cardioversão elétrica sincronizada.
O flutter atrial é caracterizado por um circuito de macro-reentrada, mais comumente no átrio direito envolvendo o istmo cavotricuspídeo. No eletrocardiograma, a ausência de ondas P e a presença de ondas F ('flutter') com aspecto de dente de serra são patognomônicas. A apresentação clínica varia de palpitações a quadros graves de insuficiência cardíaca e choque, especialmente em idosos com comorbidades. No cenário de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, alteração do nível de consciência, dor precordial ou edema agudo de pulmão), o tratamento de escolha é a cardioversão elétrica sincronizada. Em pacientes estáveis, o controle da frequência com betabloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio e a avaliação de anticoagulação são as prioridades iniciais, visando prevenir eventos tromboembólicos.
O diagnóstico eletrocardiográfico do flutter atrial baseia-se na presença de ondas F, que possuem um aspecto característico de 'dentes de serra' ou serrilhado. Essas ondas são mais visíveis nas derivações inferiores (DII, DIII e aVF) e na derivação V1. Diferente da fibrilação atrial, o ritmo no flutter costuma ser regular, frequentemente apresentando uma frequência atrial de aproximadamente 300 bpm e uma frequência ventricular de 150 bpm devido a uma condução atrioventricular de 2:1.
Pacientes que apresentam flutter atrial associado a sinais de instabilidade hemodinâmica — como hipotensão arterial, alteração do nível de consciência, dor precordial de caráter isquêmico ou edema agudo de pulmão — devem ser submetidos à cardioversão elétrica sincronizada imediata. O procedimento deve ser realizado sob sedação, se possível, iniciando-se com cargas de 50 a 100 Joules, progredindo conforme necessário para restaurar o ritmo sinusal.
A frequência cardíaca de 150 bpm é clássica no flutter atrial devido à fisiologia do nó atrioventricular (AV). O circuito de reentrada atrial gera impulsos a uma taxa de cerca de 300 bpm. Como o nó AV possui um período refratário, ele geralmente bloqueia metade desses impulsos, resultando em uma condução 2:1. Portanto, uma taquicardia supraventricular rítmica com FC cravada em 150 bpm deve sempre levantar a suspeita diagnóstica de flutter atrial.
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