IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020
Paciente sexo masculino, 45anos, 70 Kg, em 1º dia de pós operatório de gastrectomia total apresentando-se com náuseas e inapetência, porém sem distensão abdominal, taquicardia, dispneia ou singultos. A respeito do manejo pós-operatório e a necessidade de soroterapia julgue as alternativas e marque a correta
Fluidoterapia restritiva no pós-operatório ↓ morbimortalidade, evitando balanço hídrico positivo.
Evidências atuais favorecem uma abordagem mais restritiva na fluidoterapia pós-operatória. Balanços hídricos positivos excessivos estão associados a um aumento da morbimortalidade, incluindo complicações pulmonares, cardíacas e gastrointestinais, especialmente em cirurgias de grande porte.
O manejo hídrico no pós-operatório é um aspecto crítico da recuperação cirúrgica, especialmente após procedimentos de grande porte como a gastrectomia total. Tradicionalmente, a tendência era a administração liberal de fluidos intravenosos, mas as evidências mais recentes têm demonstrado que uma abordagem mais restritiva, visando um balanço hídrico neutro ou ligeiramente negativo, está associada a melhores desfechos. A fisiopatologia por trás da recomendação de fluidoterapia restritiva reside no fato de que o excesso de fluidos pode levar a um balanço hídrico positivo, resultando em edema intersticial generalizado. Este edema pode comprometer a função de múltiplos órgãos, incluindo os pulmões (edema pulmonar), o coração (sobrecarga de volume), os rins (disfunção renal) e o trato gastrointestinal (íleo paralítico prolongado, edema de anastomoses com risco de deiscência). Portanto, a prática atual enfatiza a administração de fluidos de forma guiada e individualizada, monitorando de perto o balanço hídrico, os eletrólitos e os sinais de perfusão tecidual. O objetivo é manter a euvolemia sem sobrecarga. A alternativa C está incorreta pois 2100ml de soro fisiológico a 0,9% para manutenção é uma quantidade excessiva de sódio para um paciente de 70kg, podendo levar a hipernatremia e sobrecarga. A alternativa D está incorreta pois o soro fisiológico a 0,9% não oferece o 'mínimo' de sódio, mas sim uma quantidade significativa que pode gerar repercussões metabólicas e eletrolíticas se usado indiscriminadamente como soro de manutenção. A alternativa B está incorreta pois a profilaxia de lesões agudas de mucosa com omeprazol venoso não é rotina para todos os pacientes pós-operatórios de grande porte, especialmente após gastrectomia total, onde a produção de ácido é minimizada.
A fluidoterapia restritiva visa evitar o balanço hídrico positivo excessivo, que está associado a complicações como edema pulmonar, disfunção renal, íleo paralítico e anastomótica, e aumento da morbimortalidade.
Um balanço hídrico positivo pode levar a edema tecidual generalizado, comprometimento da cicatrização de anastomoses, disfunção pulmonar (edema), disfunção cardíaca e renal, e prolongamento do tempo de internação.
O uso rotineiro de omeprazol venoso para profilaxia de lesões agudas de mucosa não é universalmente recomendado para todos os pacientes pós-operatórios, especialmente após gastrectomia total onde a produção de ácido é drasticamente reduzida. A indicação deve ser individualizada para pacientes de alto risco.
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