Fluidoterapia Pós-Operatória: Estratégias Restritivas e Desfechos

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Paciente sexo masculino, 45anos, 70 Kg, em 1º dia de pós operatório de gastrectomia total apresentando-se com náuseas e inapetência, porém sem distensão abdominal, taquicardia, dispneia ou singultos. A respeito do manejo pós-operatório e a necessidade de soroterapia julgue as alternativas e marque a correta

Alternativas

  1. A) Manejos restritivos de volume estão cada vez mais comuns nas prescrições, embasados em evidências robustas que demonstram aumento da morbimortalidade em pacientes que apresentem balanços hídricos positivos.
  2. B)  Em procedimentos de grande porte como do paciente acima, são recomendados de rotina o uso de omeprazol venoso, com finalidade de evitar as lesões agudas de mucosa, causadoras frequentes de hemorragia digestiva no pós-operatório.
  3. C)  O paciente necessita de cerca de 2100 ml de água ao dia, que podem ser oferecido como soro de manutenção por soroterapia com cloreto de sódio a 0,9%.
  4. D)  A necessidade de sódio diário é oferecida após cálculo baseado em peso do paciente. Ao oferecer as soluções isotônicas como o cloreto de sódio a 0,9%, no esquema de soroterapia de manutenção, o mínimo é ofertado ao paciente, não gerando repercussões metabólicas e eletrolíticas.

Pérola Clínica

Fluidoterapia restritiva no pós-operatório ↓ morbimortalidade, evitando balanço hídrico positivo.

Resumo-Chave

Evidências atuais favorecem uma abordagem mais restritiva na fluidoterapia pós-operatória. Balanços hídricos positivos excessivos estão associados a um aumento da morbimortalidade, incluindo complicações pulmonares, cardíacas e gastrointestinais, especialmente em cirurgias de grande porte.

Contexto Educacional

O manejo hídrico no pós-operatório é um aspecto crítico da recuperação cirúrgica, especialmente após procedimentos de grande porte como a gastrectomia total. Tradicionalmente, a tendência era a administração liberal de fluidos intravenosos, mas as evidências mais recentes têm demonstrado que uma abordagem mais restritiva, visando um balanço hídrico neutro ou ligeiramente negativo, está associada a melhores desfechos. A fisiopatologia por trás da recomendação de fluidoterapia restritiva reside no fato de que o excesso de fluidos pode levar a um balanço hídrico positivo, resultando em edema intersticial generalizado. Este edema pode comprometer a função de múltiplos órgãos, incluindo os pulmões (edema pulmonar), o coração (sobrecarga de volume), os rins (disfunção renal) e o trato gastrointestinal (íleo paralítico prolongado, edema de anastomoses com risco de deiscência). Portanto, a prática atual enfatiza a administração de fluidos de forma guiada e individualizada, monitorando de perto o balanço hídrico, os eletrólitos e os sinais de perfusão tecidual. O objetivo é manter a euvolemia sem sobrecarga. A alternativa C está incorreta pois 2100ml de soro fisiológico a 0,9% para manutenção é uma quantidade excessiva de sódio para um paciente de 70kg, podendo levar a hipernatremia e sobrecarga. A alternativa D está incorreta pois o soro fisiológico a 0,9% não oferece o 'mínimo' de sódio, mas sim uma quantidade significativa que pode gerar repercussões metabólicas e eletrolíticas se usado indiscriminadamente como soro de manutenção. A alternativa B está incorreta pois a profilaxia de lesões agudas de mucosa com omeprazol venoso não é rotina para todos os pacientes pós-operatórios de grande porte, especialmente após gastrectomia total, onde a produção de ácido é minimizada.

Perguntas Frequentes

Por que a fluidoterapia restritiva é preferida no pós-operatório de cirurgias de grande porte?

A fluidoterapia restritiva visa evitar o balanço hídrico positivo excessivo, que está associado a complicações como edema pulmonar, disfunção renal, íleo paralítico e anastomótica, e aumento da morbimortalidade.

Quais são os riscos de um balanço hídrico positivo excessivo no pós-operatório?

Um balanço hídrico positivo pode levar a edema tecidual generalizado, comprometimento da cicatrização de anastomoses, disfunção pulmonar (edema), disfunção cardíaca e renal, e prolongamento do tempo de internação.

O uso rotineiro de omeprazol venoso é indicado no pós-operatório de gastrectomia total?

O uso rotineiro de omeprazol venoso para profilaxia de lesões agudas de mucosa não é universalmente recomendado para todos os pacientes pós-operatórios, especialmente após gastrectomia total onde a produção de ácido é drasticamente reduzida. A indicação deve ser individualizada para pacientes de alto risco.

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