Indicações do Recobrimento Conjuntival (Flap de Gundersen)

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

As três ilustrações abaixo demonstram os tempos cirúrgicos de uma determinada técnica operatória; e a fotografia, o aspecto final desejado. Entre as alternativas abaixo, qual apresenta a melhor indicação para o procedimento ilustrado?

Alternativas

  1. A) Distrofia corneal de Meesman.
  2. B) Ceratite por Acanthamoeba, sem resposta ao tratamento clínico.
  3. C) Hidropisia persistente em paciente com ceratocone.
  4. D) Ceratopatia bolhosa dolorosa em olho amaurótico.

Pérola Clínica

Flap de Gundersen → Alívio da dor em ceratopatia bolhosa de olho sem potencial visual.

Resumo-Chave

O recobrimento conjuntival (Flap de Gundersen) é indicado para estabilizar a superfície ocular e eliminar a dor em olhos com prognóstico visual reservado, evitando procedimentos mais invasivos como a enucleação.

Contexto Educacional

O recobrimento conjuntival é uma ferramenta valiosa no arsenal do cirurgião de córnea para o manejo de doenças graves da superfície ocular. Historicamente muito utilizado antes da popularização dos transplantes de córnea e das lentes de contato terapêuticas, o flap de Gundersen mantém seu papel em casos de úlceras neurotróficas persistentes, ceratites herpéticas crônicas e, classicamente, na ceratopatia bolhosa do olho cego. A técnica exige a dissecção cuidadosa da conjuntiva bulbar superior, garantindo que o flap seja fino o suficiente para aderir ao estroma corneano desepitelizado, mas íntegro o suficiente para não retrair. Em residentes, a compreensão de que este é um procedimento de 'conforto' e não de 'reabilitação visual' é fundamental para a correta seleção do paciente e manejo das expectativas.

Perguntas Frequentes

O que é o Flap de Gundersen?

O flap de Gundersen, ou recobrimento conjuntival total, é uma técnica cirúrgica onde uma fina camada de tecido conjuntival é transposta sobre a córnea após a remoção do epitélio corneano. O objetivo é fornecer um suprimento vascular e metabólico estável para uma córnea doente, promovendo a cicatrização e, principalmente, protegendo as terminações nervosas expostas. É um procedimento paliativo, pois a presença da conjuntiva sobre a córnea impede a visão clara, sendo reservado para casos onde a recuperação visual não é o objetivo primário.

Por que é indicado na ceratopatia bolhosa dolorosa?

Na ceratopatia bolhosa, a falência endotelial leva ao edema estromal e formação de bolhas epiteliais que se rompem, expondo nervos corneanos e causando dor intensa e fotofobia. Em olhos amauróticos (cegos), o transplante de córnea não se justifica. O flap de Gundersen recobre essas áreas lesadas com conjuntiva saudável, cessando a formação de bolhas e protegendo os nervos, o que resulta em alívio imediato e crônico da dor, além de melhorar o aspecto estético ao reduzir a inflamação crônica.

Quais as contraindicações do recobrimento conjuntival?

A principal contraindicação é a presença de potencial visual útil no olho afetado, uma vez que o flap obstrui o eixo visual. Outras contraindicações incluem infecções ativas não controladas (como ceratites fúngicas ou bacterianas em fase aguda, onde o flap pode 'esconder' um abscesso), perfurações oculares iminentes sem suporte tectônico adequado e casos onde a estética é a única preocupação e uma prótese escleral sobre o olho calmo seria preferível.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo