CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2014
A figura ilustra um passo de uma cirurgia oftalmológica. Qual a técnica mostrada?
Ausência de suporte capsular → Fixação escleral ou iriana de LIO para correção da afaquia.
A fixação escleral é a técnica cirúrgica utilizada para implantar uma lente intraocular (LIO) quando não há integridade do saco capsular ou do sulco ciliar.
A fixação escleral de lente intraocular (LIO) representa um desafio técnico na oftalmologia reconstrutiva. Historicamente, utilizava-se fios de Prolene 10-0, mas devido ao risco de degradação do fio e luxação tardia da LIO, novas técnicas como o uso de fios de Gore-Tex ou a técnica de Yamane (fixação de haptos em túneis esclerais sem sutura) ganharam espaço. O procedimento exige conhecimento profundo da anatomia do corpo ciliar e da pars plana para evitar hemorragias intraoculares graves. É fundamental que o residente identifique corretamente a anatomia na imagem: a agulha passando pela esclera para buscar ou fixar o háptico da lente caracteriza o procedimento de fixação escleral.
A fixação escleral é indicada em pacientes afácicos que não possuem suporte capsular (saco capsular ou sulco ciliar) adequado para o implante de uma LIO convencional. Isso ocorre frequentemente após complicações em cirurgias de catarata (ruptura de cápsula posterior extensa), traumas oculares ou subluxação do cristalino (como na Síndrome de Marfan).
As complicações incluem descolamento de retina, hemorragia vítrea, edema macular cistoide, erosão da sutura através da conjuntiva e descentração da lente. O uso de técnicas modernas, como a fixação sem sutura (técnica de Yamane), visa reduzir algumas dessas intercorrências relacionadas aos fios de polipropileno.
Na fixação escleral, a LIO é suturada ou ancorada diretamente na esclera, geralmente 1.5 a 2mm atrás do limbo. Na fixação iriana, a lente é presa ao estroma da íris. A escolha depende da experiência do cirurgião, da integridade da íris e das condições do segmento posterior do paciente.
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