CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2010
Esta é uma lente intraocular para:
LIO com orifícios nas hápticas → desenhada para sutura e fixação escleral.
Lentes de fixação escleral possuem orifícios específicos em suas alças (hápticas) para permitir a passagem de fios de sutura (como Prolene 10-0), sendo indicadas na ausência de suporte capsular.
O manejo da afacia na ausência de suporte capsular é um dos maiores desafios da cirurgia de segmento anterior. As opções incluem LIO de câmara anterior (apoiada no ângulo), LIO de fixação iriana e LIO de fixação escleral. A escolha depende da saúde do endotélio corneano, da integridade da íris e da experiência do cirurgião. A lente de fixação escleral apresentada na questão é um modelo clássico de câmara posterior adaptado. O reconhecimento visual de que os orifícios nas hápticas servem para sutura é o ponto chave para o diagnóstico da questão. Na prática clínica, a fixação escleral é frequentemente preferida em pacientes jovens para evitar o contato da lente com o ângulo iridocorneano ou com o endotélio, preservando a saúde corneana a longo prazo.
A fixação escleral é indicada quando o paciente necessita de um implante de lente intraocular, mas não possui suporte capsular (cápsula posterior ou sulco ciliar) adequado para sustentar uma LIO convencional. Isso ocorre frequentemente em casos de trauma ocular, grandes rupturas de cápsula posterior durante a facoemulsificação, zonulólise extensa (como na Síndrome de Pseudoesfoliação ou Marfan) ou em reoperações para correção de afacia secundária.
Diferente das LIOs de câmara posterior padrão, as lentes desenhadas especificamente para fixação escleral possuem pequenos orifícios ou ilhoses nas suas alças hápticas. Esses orifícios permitem que o cirurgião passe fios de sutura não absorvíveis (geralmente polipropileno 10-0 ou 9-0) para ancorar a lente diretamente na parede escleral, garantindo a centralização e estabilidade da lente no eixo visual, mesmo sem o saco capsular.
As complicações incluem a erosão da sutura através da conjuntiva (que pode levar a endoftalmite), inclinação (tilt) da lente gerando astigmatismo induzido, hemorragia vítrea durante a passagem das agulhas, descolamento de retina e edema macular cistoide. Técnicas modernas, como a técnica de Yamane (fixação escleral sem sutura), tentam mitigar alguns desses riscos relacionados ao uso de fios de polipropileno a longo prazo.
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