FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022
As fístulas digestivas são condições associadas a significativa morbimortalidade. Nesse contexto, a terapia nutricional representa intervenção terapêutica importante para o manejo dessa patologia. É correto afirmar:
Fístulas de baixo débito (intestino grosso) → dieta enteral baixo resíduo + cuidados clínicos.
Fístulas de intestino grosso, especialmente as de baixo débito (<200 mL/dia), podem ser manejadas com dieta enteral de baixo teor de resíduos. Esta abordagem permite a nutrição do paciente enquanto minimiza o estímulo à secreção e ao trânsito intestinal, favorecendo o fechamento espontâneo e a cicatrização.
As fístulas digestivas são comunicações anormais entre o trato gastrointestinal e outra superfície (pele, outro órgão), associadas a alta morbimortalidade devido à desnutrição, desequilíbrio hidroeletrolítico e infecções. O manejo é complexo e multidisciplinar, com a terapia nutricional desempenhando um papel central. A terapia nutricional em fístulas digestivas visa otimizar o estado nutricional do paciente, promover a cicatrização e o fechamento da fístula. A escolha entre nutrição enteral e parenteral depende de fatores como o débito da fístula, sua localização, a estabilidade hemodinâmica do paciente e a presença de obstrução distal. Fístulas de baixo débito, especialmente as de intestino grosso, podem se beneficiar de dietas enterais de baixo resíduo, que minimizam o estímulo intestinal. Fatores como alto débito, trajeto curto, obstrução distal, presença de corpo estranho, doença inflamatória intestinal ativa ou radioterapia prévia dificultam o fechamento espontâneo. A albumina não deve ser administrada de rotina, pois sua reposição não melhora o prognóstico sem abordar a causa da hipoalbuminemia. Pacientes instáveis hemodinamicamente, em doses altas de drogas vasoativas, geralmente têm contraindicação à dieta enteral devido ao risco de isquemia intestinal.
A terapia nutricional é crucial para o manejo de fístulas digestivas, pois esses pacientes frequentemente apresentam desnutrição devido à perda de nutrientes e eletrólitos. Ela visa manter o estado nutricional, promover a cicatrização e o fechamento da fístula, e reduzir complicações.
A dieta enteral pode ser indicada em fístulas de baixo débito (geralmente <200-500 mL/dia), fístulas distais (intestino grosso) ou quando a fístula está longe do local de absorção principal. Dietas de baixo resíduo ou elementares são preferidas para minimizar o estímulo intestinal.
Fatores que favorecem o fechamento espontâneo incluem: baixo débito (<200-500 mL/dia), fístulas distais (intestino delgado distal, cólon), trajeto longo, ausência de obstrução distal, ausência de corpo estranho, ausência de doença inflamatória intestinal ativa, e bom estado nutricional do paciente.
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