UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015
Em relação às fístulas digestivas, assinale a alternativa INCORRETA:
Fístulas biliares puras → baixo risco de lesão cutânea e desnutrição, alto risco de distúrbios hidroeletrolíticos.
A alternativa C está incorreta porque as fístulas biliares puras, embora possam causar distúrbios hidroeletrolíticos, não apresentam risco elevado de lesão cutânea ou desnutrição, pois a bile não possui enzimas proteolíticas. O risco de deficiência de vitamina K é mais associado a fístulas de alto débito do intestino delgado ou fístulas pancreáticas.
As fístulas digestivas representam um desafio complexo na prática cirúrgica, com alta morbimortalidade. Elas são comunicações anormais entre o trato gastrointestinal e outra superfície (interna ou externa). A etiologia mais comum é pós-operatória, mas também podem ser causadas por doenças inflamatórias, trauma ou neoplasias. O manejo exige uma abordagem multidisciplinar e individualizada. A classificação das fístulas é multifacetada, incluindo localização, etiologia, anatomia e débito. Quanto ao débito, são consideradas de alto débito aquelas que drenam mais de 500 ml/dia, o que tem implicações significativas no manejo hidroeletrolítico e nutricional. As fístulas enterocutâneas pós-operatórias demandam controle rigoroso da sepse, reposição hidroeletrolítica, suporte nutricional e proteção da pele periestoma. A alternativa incorreta reside na descrição das fístulas biliares puras. Embora possam levar a distúrbios hidroeletrolíticos (perda de bile), a bile não contém enzimas proteolíticas, o que significa que o risco de lesão cutânea grave e desnutrição direta por digestão é baixo, diferentemente das fístulas pancreáticas ou de intestino delgado. A deficiência de vitamina K é mais associada a fístulas que comprometem a absorção de gorduras, como as de alto débito do intestino delgado. As fístulas enteroatmosféricas, por sua vez, são notoriamente difíceis de fechar espontaneamente devido à exposição e inflamação, frequentemente requerendo intervenção cirúrgica.
O tratamento conservador foca na prevenção e manejo da sepse, controle hidroeletrolítico, suporte nutricional adequado (muitas vezes parenteral), proteção da pele periestoma e uso de análogos da somatostatina para reduzir o débito.
As fístulas são classificadas como de baixo débito (< 200 ml/dia), moderado débito (200-500 ml/dia) e alto débito (> 500 ml/dia). Essa classificação influencia o prognóstico e a estratégia de manejo.
As fístulas enteroatmosféricas são complexas devido à exposição da alça intestinal ao ambiente externo, inflamação crônica, infecção, desnutrição e dificuldade de cicatrização, frequentemente exigindo múltiplas abordagens cirúrgicas para o fechamento definitivo.
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